LUIZ GERALDO MAZZA
Massa cinzenta em crise
É constrangedor ouvir as reflexões de intelectuais e filósofos a respeito do governo Lula. Percebe-se que a despeito de não terem como contestar fatos incabíveis na ''visão idealizada'' que alguns ainda mantém em relação a Lula, e mais do que isso ao significado do imaginário que representou, muitos insistem em blindar a figura do presidente. Essa visão é tradicional na vida nacional e abrange o espectro que vai do infravermelho ao ultravioleta: o culto ao homem providencial.
Talvez fosse necessário lembrar a frase clássica de Galileu quanto ao sinal de infelicidade que cerca os povos que dependem de heróis. Numa tradução mais nossa e menos sofisticada: quem depende de salvadores não merece ser salvo.
Capas
O Paraná nas capas das revistas: na ''Caros Amigos'', Cecílio do Rego Almeida apontado como o maior grileiro do mundo, e na ''IstoÉ'' o Janene. Na primeira, mais referência ao Paraná na entrevista do procurador da República, Vladimir Aras, que faz uma tomografia na CPI do Banestado.
No ranking
O ex-delegado de polícia e especialista em prevenção na segurança, Jorge Lordello, incluiu o Paraná no ''ranking'' da violência ao citar Curitiba logo depois de São Paulo e Rio de Janeiro. Melhor aí do que no campeonato nacional.
Sobre Requião
No meio da entrevista de Cecílio do Rego Almeida a ''Caros Amigos'' uma referência a Requião: ''O Roberto Requião fazia os sem-teto entrar nas minhas propriedades, cercava lá com tratores, arrebentava a luz e entrava na minha propriedade. Arrebentava a luz, arrebentava a água, fazia um fosso em torno das casas. Eu tinha centenas ou milhares de casas aqui em Curitiba. Vendi tudo.'' Como, de um modo geral, no tom da entrevista, Cecílio se mostra adepto de saídas violentas concede ao governador indulgência especial, de quem, aliás, se mostra ultimamente aproximado.
Mais destaque
Outros destaques negativos para o Paraná: a prisão do empresário londrinense Carlos Roberto da Rocha acusado de traficar drogas dentro de peças de carne e a de um outro, de Curitiba, da alta roda mundana, cujo nome não foi revelado, que comandava um grupo do PCC, desbaratado pela polícia.
Folclore
No momento em que o Brasil sofre o colapso rodoviário das ligações entre Sul e Sudeste, o governo federal tenta abrir a estrada interoceânica no Peru e que atravessa a Bolívia, uma abertura para o Pacífico. Volta e meia o tema é suscitado por políticos paranaenses: José Carlos Martinez e Jaime Lerner foram os últimos a tratar do tema, embora situando a saída no Chile. No século retrasado, em Curitiba, na inauguração de uma ponte mais ou menos na altura da Travessa Oliveira Belo, celebrava-se a chamada ''estrada do Mato Grosso'', um dos fundamentos para a abertura na direção do Pacífico. O curioso é que duas centenas de metros da obra, a hoje Praça Osório, era denominada ''Praça Oceano Pacífico'' o que não deixava de constituir-se numa alegoria de aproximação interoceânica. Saque digno de marketing lerneriano.
Catarinas na frente
Tirando o futebol, perdemos todas dos catarinenses. É o petróleo no mar, é a excelência de sua universidade (dá um banho na nossa com quatro referenciais de excelência em graduação e pós de engenharia mecânica e industrial), é o fato de sediar o sistema energético. Perdemos, e por motivos óbvios, na questão dos portos. O de Itajaí é exemplo: com apenas quatro berços para atracação de navios teve crescimento de 40,82% em 2005. Santos com 58 berços cresceu 22%, o de Rio Grande com 19 berços subiu 1,5% e o de Paranaguá (14 berços) teve decréscimo de 0,32% na movimentação de receita.





