LUIZ GERALDO MAZZA
Hora da purgação
Em lugar de autoflagelação e de penitências suaves decididas na confissão auricular centenas de Padre Nosso, Ave Maria, Salve Rainha o PT se submete ao veredicto democrático de uma eleição nacional. Embora se possa atribuir todas as culpas ao chamado ''Campo Majoritário'' dificilmente ele perderá a hegemonia de que desfruta, menos por seus méritos do que pelo radicalismo oratorial das correntes adversárias e, consequentemente, da sua incapacidade de transformar tal ideário em ação.
A ''proteção'' transitória concedida aos deputados da lista de cassação em nada melhora a situação de Lula e do partido. Ao contrário ficam submetidos a um cronograma que quanto mais elástico, aflições maiores produzirá, e ainda com o claríssimo risco de ampliar consideravelmente a parte visível do iceberg. A degradação moral pode ser maior do até agora apurado, pois se desconhecia na semana passada a natureza das maroteiras da seguradora, a Interbrazil, que entre seus negócios incluía a Copel.
Para ilustrar o detalhamento dessa história do ''aparelhamento'' de ONGs, como as que operaram no Consórcio Social da Juventude, em favor do partido dão uma idéia de quantos fatos novos podem surgir e alguns bem próximos de nós como esse de Curitiba, nas instalações da UPE, e que implicou em desvio imenso de recursos públicos, conforme auditores do TC da União acabam de apurar.
Desde a experiência dos anos de chumbo e do represamento das liberdades ficou estabelecido que o processo eleitoral o que nem sempre é verdadeiro, vide a lamentável experiência dos pleitos diretos nas universidades é algo como uma imersão batismal, que renova a fé, o corpo e a alma de pessoas e instituições. E é com essa crença que se busca o reencontro, difícil mas não impossível, com a raiz do único e viável partido de esquerda do Brasil.
Balança
Tantas e tão seguidas as especulações em torno da queda de secretários no governo Requião que eles lembram aquele artefato de infância, a boneca Maria Teimosa que, dotada de um chumbo na base, por mais que se acionasse para derrubá-la, à direita e à esquerda, se mantinha em postura vertical.
Balança, balança, mas não cai.
MST
O aiatolá dos sem-terra, João Pedro Stédile, fez defesa da tese da entrega das armas. Como estamos às vésperas de um referendo sobre a comercialização, ele referendaria essa posição pacifista nos assentamentos com gesto equivalente, mesmo que se tratasse de garruchas, pica-paus e mandoliches. Pela singeleza do armamento existente ficaria bem demonstrado o caráter pacífico do MST.
Capa
O Paraná perdeu a timidez definitivamente: José Janene é capa e a matéria principal da ''IstoÉ'' da semana. Por ali se mostra que teria ganho mais das ações em Londrina na gestão Belinati do que do Marcos Valério. E tascaram o termo ''janeneduto''. Em tempo: as denúncias publicadas pela revista já foram destaque na Folha, em junho.
Mais ciclotimia
O DER, novamente por portaria, faz hermenêutica do pedágio e baixa a tarifa da Rodonorte. Repeteco do caso da Rodovia das Cataratas. Neste o autorizador da medida, o diretor do DER, pode responder pessoalmente pelos prejuízos da concessionária havidos na liberação das praças. A da Rodonorte pode cair no início da semana.
Política
Vanderley Rebelo, jornalista e escritor, lança em breve um livro sobre Bento Munhoz da Rocha Neto mais ou menos na linha do que elaborou sobre Ney Braga.





