Mais um teste

Às vésperas de mais um ''feriadão'', percebe-se que cada vez que isso ocorre há uma espécie de testes variados sobre turismo, deslocamento de massas, estado das nossas rodovias, operação de rodoviárias e da rede hoteleira e, é claro, o infalível pedágio. O incrível é que, a despeito do apuro dos registros estatísticos, dá a impressão que pouco aprendemos.
Curitiba, e mais genericamente o Paraná, que tipo de aproveitamento poderiam fazer no turismo? Foz do Iguaçu tem dinâmica própria, é referência internacional e se o empresariado da hospitalidade e do agenciamento souber atuar teremos, é claro, as vantagens daí decorrentes. Curitiba é apropriada para o chamado turismo de negócios, de eventos, hoje contando com um Centro de Convenções de porte e adaptável às dimensões de cada promoção. Um dos poucos fatores que merecem figurar num calendário é o Natal, assim mesmo com sinais claros de decadência por falta de maior atuação dos interessados e governos estadual e municipal.

No Litoral, que ganha nesses dias adensamento de turistas, as deficiências se tornam gritantes: não há como comparar, dos populares aos médios (o único de porte seria Guaratuba mais por suas dimensões do que pelas atrações e serviços em oferta), com os existentes na orla catarinense. Guaratuba poderia ser uma espécie de dique para conter o êxodo e está fragilizada, decadente, péssima nos serviços de segurança e frágil também nos de hospitalidade. Isso é bem visível nas placas colocando casas à venda.

O pior, porém, dos feriadões está nas tragédias das estradas apesar de todo esforço de prevenção e melhoras no policiamento. Tivéssemos uma rotina para tratar do tema e a previsão do que pode ocorrer deveria constituir-se numa operação de ''brain'', de Quartel General, e isso abrangendo todos os setores abarcados do turismo à segurança, do estímulo a investimentos.

Uma coisa, porém, tem a força de um consenso: o preço do pedágio, mormente o da BR-277 em direção ao Litoral, é assalto à mão armada, um achincalhe.

Plano diretor
Há anos se promete um Plano Diretor para os nossos balneários e nada se faz. Um dos melhores quadros dessa área está no governo Requião, o arquiteto e urbanista Luis Forte Neto. É dele o plano feito na gestão Paulo Pimentel, anos 60 do século passado, e que poderia perfeitamente servir de base com as atualizações. Um dado supérfluo, a ponte sobre a Baía de Guaratuba, uma espécie de Rio-Niterói cabocla, virou texto constitucional por obra e graça do Antonio Anibelli. Por sinal que as tarifas do ferry-boat são abusivas.

Paraíso
Ainda bem que não detonaram o Litoral Norte, o mais bonito do Paraná e um dos mais empolgantes do País. E isso se deve ao governo Richa, que fez convênio com São Paulo (gerido por Franco Montoro) e que colocou todo o complexo lagunar do Superagui sob proteção especial. Indispensável, porém, a cautela contra a proliferação de pousadas nas ilhas, o que de repente reeditaria essa vergonha que é a Ilha do Mel, alvo de muitos discursos e teorizações e poucas ações verdadeiramente concretas. Quando a área estava submetida ao Serviço do Patrimônio da União havia mais critérios nas concessões e controle na construção das habitações.

Folclore
O deficiente visual está em Caiobá e reclama ao seu acompanhante: ''Você me prometeu levar à praia e pelo cheiro isso aqui é a foz do Rio Belém!''.

mockup