Patriotismo formal
Nos tempos do Estado Novo de Getúlio Vargas, em setembro tínhamos pelo menos dois desfiles escolares sucessivos: o do ''Dia da Raça'', na data de hoje, e o da ''Independência'', dia 7. O culto a manifestações do gênero tinha muita identidade com o que se dava em vários pontos do mundo, especialmente em países sob regime autoritário-fascista como Portugal e Espanha e na própria exaltação de dirigentes que tentavam encarnar a própria nação.
Há quem, volta e meia, revele saudades desses exageros que nos torturavam em prolongados desfiles em que eram comuns os desmaios de estudantes por glicemia e má alimentação. Dava para perceber como o Brasil era pobre nos uniformes de escolas e ginásios públicos: não havia os tênis de grife de hoje e os nossos eram paupérrimos e disfarçados com pintura de alvaiade para embranquecê-los.
Esses rituais patrióticos não se limitavam aos desfiles: no Ginásio Paranaense obrigavam-nos a assistir, abrindo e fechando o itinerário escolar, as cerimônias de hasteamento e arriamento da bandeira e tínhamos o hinário nacional (o nacional, da bandeira, o ''já podeis da Pátria filho'') na ponta da língua, isso sem falar na decoração do hino do colégio ''Mocidade da terra querida, onde a luz do Cruzeiro fulgura''... O maestro Bento Mossurunga, professor de música, lá na frente, regendo a apresentação.
No Brasil ''pop'' de hoje não há nem vestígio disso, mas quando a seleção brasileira joga o culto aos ícones pátrios é mais vivo não apenas no emprego irreverente da bandeira (a quebra das normas do decreto que regula o uso do pavilhão nacional é a coisa mais normal) como de camisas amarelinhas como a usada pelos craques. Há quem defenda o retorno daquela liturgia, todavia ela conflita com o ''aggiornamento'' da moda, perda dos sinais de militarização, subjacentes a essas passeatas, desfiles e préstitos. Não sou fanático do patriotismo formal, mas algo deve ser feito contra a indiferença e a apatia que revelam um desligamento quase absoluto dos valores nacionais.

Arborização
Curitiba tem uma das mais elevadas taxas de ''verde'' de todo o País. Em parte devido à adesão dos proprietários mantendo bosques e florestas e também em função de estímulos fiscais e da cultura consolidada. São mais de 15% de toda a área e se somarmos as manchas da Região Metropolitana teremos matas contínuas. Paradoxalmente a prefeitura e desde muito tempo é desleixada com a arborização pública e agora Beto Richa promete reagir. Vamos ver.

Ranking
Apesar do triunfalismo com que o governo explora indicadores da FGV e do IBGE, o Paraná não tem melhorado no ''ranking''. Nos estudos recentes do IDH ficamos em sexto lugar. No indicador renda perdemos de Santa Catarina. Uma emulação entre indicadores seria mais honesta do que a exaltação eventual de num mês termos obtido um desempenho melhor como se deu em junho com a indústria com aqueles 15,8% de expansão, o que é falso porque no ano anterior a Petrobras fechou para manutenção por um mês, daí o aparente salto estatístico.

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