LUIZ GERALDO MAZZA
O silêncio de Osmar
Há quem ache impassível demais o senador Osmar Dias diante das turbulências nacionais, enquanto o seu irmão Alvaro, sabidamente um obstinado em pretender retornar ao governo estadual, se destaca numa postura promotorial e com vasta cobertura nas redes nacionais. É a postura de um hiperativo, tangenciando a Dança de São Vito, ao lado de um catatônico, parecido com essas estátuas vivas que tomam conta da cidade.
Um jornalista de um tablóide foi longe demais na análise e o comparou a Rip Van Winkle, personagem de Washington Irving, um dos primeiros mestres do conto norte-americano, que dorme um sono de décadas em montanhas (Catskill) próximas de Nova York e quando desperta sai pelas cidades sem a menor consciência a dar vivas ao rei com o que é logo confundido com um ''tory'', um conservador, pois o País já se libertara do jugo inglês. Na observação sugere que quando Osmar, à maneira do aldeão, despertar, o Brasil terá mudado e o Paraná estará com novo governador, a CPI terá cumprido o seu papel, enfim tudo que ocorrer não terá a sua colaboração.
Nem toda turbulência, em que pesem os recursos da tecnologia para informação em tempo real, beneficia seus agentes principais: o papel do presidente da Câmara Federal, Ibsen Pinheiro, no processo do ''impeachment'' de Collor, onde operava com a dureza de um magistrado clássico, não o salvou de ver-se enredado nas malhas dos anões do orçamento. O pior se dá com os que confiam no ''mito das barricadas'', nos desafios de rua: os comícios das ''Diretas já'', embora empolgantes, não garantiram a vitória da emenda Dante de Oliveira.
Para execrar os que votavam contra militantes, colocaram um placar na Boca Maldita assinalando seus respectivos escrutínios. Boa parte dos que votaram a favor não obtiveram reeleição e muitos dos que impediram a vitória conseguiram obter seus postos parlamentares. Estar na onda não significa a glória.
Requião também é interessado na eleição e não consta que se disponha a emitir juízos de valor em cima da crise, a não ser a repetição de sua tese de que a causa de toda a balbúrdia seria o ''modelo econômico'', justamente o que faz a blindagem de Lula e lhe garante sucessos inegáveis como o do aumento do PIB em 1,5% e os sinais de estabilidade. Para descompensar, o governador se mantém no palanque em suas divividas com Osmar e Alvaro.
Há agora o ''silêncio dos intelectuais'' discutido por filósofos, ensaístas e sociólogos. E silêncios como o de Osmar Dias pode tanto prejudicá-lo como ajudá-lo em função do massacre informativo das CPIs e instâncias paralelas.
Modelo
Cada vez que Requião faz restrições à política econômica aparecem indicadores robustos do PIB, do nível do emprego e do controle da inflação pró-Lula.
Rolar
A notícia surpreendente da recuperação do PIB animou Lula, que prometeu valer-se dela para defender seu governo no interior do País. Pode ser que cruze com Requião nessas andanças em objetivo diverso: o de criticar o modelo.
Folclore
A capa da ''Paraná em Páginas'' mostra as posses de Requião na prefeitura de Curitiba e no governo do Estado e que teve o apoio decisivo de José Richa e de Alvaro Dias e com os quais se desentendeu. Pergunta se vai ocorrer o mesmo com Lula que decidiu a última eleição. Um requianista observou: a revista levou 20 anos atacando Lerner e o cara só cresceu; Requião se garante por mais 10 anos.





