LUIZ GERALDO MAZZA
O fim da utopia
Fukuiama declarou o fim da história em texto despretensioso e que ganhou maior força em condição da carga interpretativa. Já se disse que não há mais espaço para a revolução e no entanto, lá pelas décadas de 50 a 70, era no que mais se falava em encontros estudantis, tudo monitorado pela Guerra Fria. No momento há, na sociedade militarmente hegemônica, o tédio da estabilidade e a perspectiva de ausência da utopia.
Nem no caso específico do PT a utopia se volatilizou. Essa arma das minorias permeia muitas das tendências internas, entre as quais a que propugna, imaginem, um Brasil socialista. Que obviamente não será o ditado por João Pedro Stédile e sua visualização ''retrô''. O fato é que se espera algo como aquela pressão das massas de 1968, mais na França do que por aqui, para obrigar todo mundo a pensar e com isso reconstruir as ideologias.
A legitimação do terror, que já houve em outras fases da humanidade, está aí de volta, justificada na condição de ''guerra'' mais barata e possível contra as potências. Com ela, da mesma forma que o anticomunismo, e toda a sua carga de intolerância, em passado recente, tenta-se tudo justificar na repressão genérica ao terrorismo. Mas a reação civilizada no caso do brasileiro morto em função dessa paranóia em Londres mostra que nem todos os meios se justificam e ainda não chegamos a um novo macartismo.
Um partido habilitado para ocupar o poder, o que já vinha pacientemente fazendo, como o PT, revelou-se jejuno nas artes de governar e minado pelo deslubramento (vinhos, champanhes, mordomias no itinerário da grana de Marcos Valério, prodigalidade com os cartões corporativos) degradou-se na corrupção, a pior das traições ao mais badalado dos seus fundamentos. Como se deu na desfiguração da falsa Ditadura do Proletariado na União Soviética, ocupada pela ''Nova Classe'', a nomenklatura, a espiral imaginada por Marx em direção à sociedade sem classes (e olha que foram décadas de decantação) foi mantida pelos que a desfrutavam da mesma forma que ocorreu agora com o PT, vítima da ganância, do oportunismo, da soberba, do aventureirismo do núcleo dominante.
É preciso um choque desse porte, como o vivido agora, para que se cogite de um condimento de utopia, ainda que pareça num horizonte remotíssimo.
Ambientalismo
Anteontem foi dia da audiência pública em Araucária para ver as mudanças da Refinaria da Petrobras e em que medida afetam o ambiente. No Porto, um armazém tocado pela Tibagi está sem o termo de controle ambiental. O terminal sucroalcooleiro está abandonado e transformado em campo de pelada da piasada.
Taniguchi
Tucanos de alta plumagem, como o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Claudio Derosso, homenagearão Cassio Taniguchi semana que vem, gratos pelas obras que permitiram suas reeleições. Obviamente toda base aliada vai estar presente, a das duas gestões de Taniguchi. Despertou ciumeira, mas é possível que o prefeito atual também compareça.
Folclore
Lula ao dizer, em seu discurso, que não faria como João Goulart cometendo erro histórico: ele não tirou o time de campo e sim foi deposto. A não ser que esteja sugerindo, por via tortuosa, que resistiria à hipótese da deposição, o que não tem a mínima possibilidade de ocorrer. Se continuar se esvaindo, como o Ibope demonstrou, dentro de meses estará inviabilizado para a reeleição.
Repeteco
Requião quer sair pelo País mostrando que há outro caminho. Também no seu primeiro governo veio com esse tipo de papo que não emplacou. Numa coisa, porém, está certo: ter um programa é mais importante do que um candidato, mesmo que se trate de algo que vai dar xabu.





