LUIZ GERALDO MAZZA
O silêncio
Houve um baita discurso no País e até um seminário sobre ''o silêncio dos intelectuais''. Um jorro de epistemologia, metafísica, ciência política. A melhor das frases, pela simplicidade e sem condoreirismos, veio do jornalista Valério Fabris, hoje em Minas Gerais, a respeito dessas pessoas carregadas de certezas e sem nenhuma dúvida dos quadros de vanguarda do PT: ''Eles estão mais calados do que criança cagada''.
A filósofa Marilena Chauí, por exemplo, reportou-se ao embate entre Merleau-Ponty e Jean Paul Sartre sobre a questão do engajamento. Sartre, entre os anos 50 e 60, entrava em todas as ebulições, especialmente as processadas no interior das correntes de esquerda, Partido Comunista inclusive. Lembro que se entusiasmou (isso, aliás, é bem ''europeu'' e colonizador) tanto com a Revolução Cubana que chegou a produzir um texto, mais panfletário e de elogios e que o nosso jornal, aquele em que trabalhávamos, a ''Última Hora'', publicou em série, à maneira de folhetins, intitulado ''Furacão sobre Cuba''. Bem menos importante do que as obras de norte-americanos que procuraram explicar aquele acontecimento como as de Wright Mills (''Ouça, Yanke'') e Leo Hubermann, a intervenção da maior expressão do existencialismo foi relevante para blindar a ilha contra a sedução imperialista que, aliás, quebraria a cara na desastrada invasão da Baía dos Porcos por grupos mercenários.
Filósofos como Max Webber resistem ao factual para montar axiomas porque se acreditam comprometidos com o permanente e não com o transitório, que por vezes não passa de mimetismo. Dos que se envolveram com o emergente, no clima de exaltação do nazismo, não há exemplo melhor do que o de Heidegger, cobrança que muitos fazem sem deixar de reconhecer a sua construção filosófica, mais significativa do que a identificação episódica diante da insania que era posta como salvação da Alemanha.
Os que idealizaram demais o que a eleição de Lula poderia significar para o país são os que mais sofrem. Até o Luis Fernando Veríssimo, que não vinha escrevendo nada sobre os fatos, anunciou a morte da Velhinha de Taubaté, a que acreditava em todos os governos. Forma oblíqua de tratar do tema.
Repique
O silêncio também é recomendável quando se tem o Chaves venezuelano como um paradigma, mil vezes pior do que o homônimo da tv mexicana. Ou figuras como Bin Laden, Saddam Hussein e Pol Pott.
Bicho
Voltarama a falar (e isso veio da PIC) que bicheiros cariocas estariam querendo pegar o espaço de Curitiba. No primeiro governo Requião os maiores banqueiros Castor de Andrade, Miro, Capitão Guimarães foram vistos em rodas oficiais. A trinca foi enquadrada pela juíza, hoje deputada, Denise Frossard. E, à época, o governador lançou ''A Grande Festa'' na repressão ao bicho local com mobilizações nunca vistas em nossa história, depois afrouxadas.
Quadros
O PT em queda acentuada em Londrina se espantava com a ascensão de Belinati até que houve a rejeição das contas de 2000, o que pode determinar a perda de direitos políticos. Percebe-se aí a carência de quadros como se dá no Paraná com candidatos repetitivos como Requião, Lerner, Alvaro Dias. Atraso.
Folclore
Demora dos julgamentos do Tribunal de Contas é praxe: só de Londrina há oito prestações em exame. Tanto Requião como Lerner sofreram riscos por suas contas não terem sido aprovadas tanto na prefeitura quanto no governo estadual. É por isso que se corre o risco de cobrar prefeito morto como já aconteceu.





