Outra do Porto

O Porto de Paranaguá é que nem as CPIs: quando você pensa que terminou a sequência de absurdos, aparece uma nova. O ISPS (International Ships in Port Security), sistema imposto pela Organização Marítima Internacional, órgão da ONU, e que se tornou mais rigoroso depois do ataque às torres geminadas, pode ficar de novo para as calendas.
Ocorre que duas empresas contestam a licitação e se viram obrigadas a pedir mandado de segurança porque não foram atendidas no recurso administrativo. Se a demanda perdurar, ou o Porto não se enquadra e corre o risco de ter cargas no exterior recusadas, ou apela para as razões de emergência para contratar.
Tudo lá é empurrado com a barriga, à moda da casa, como se o Paraná fosse um feudo e o Brasil não se constituísse em república, tal é a sistemática de desobediência a normas nacionais como na questão da transgenia. O ISPS rola há dois anos e a parte privada do terminal já se enquadrou.

Pedágio
O pior dos pedágios não é o das estradas, mas esse a que o prestador de serviço é obrigado a atender para fazer negócio no setor público. E é muito mais generalizado do que o outro, legal, ainda que desconfortável.

Irritação
Requião quer que o Ministério Público investigue a mobilização na audiência pública pela Faep. Seu irmão fez o mesmo relativamente à paralisação de toda comunidade portuária, entrou na Justiça e levou a pior. Não se sabe se está ainda na Justiça aquele caso da invasão das praças de pedágio pelo MST-PMDB.

Pernóstico
A divisa romana pode ser usada no plebiscito sobre as armas no Brasil (que acho um despropósito diante dos problemas que enfrentamos e que jamais se justificaria numa perspectiva de prioridade quando o crime está melhor organizado do que o aparato estatal) ''se queres a paz, prepara-te para a guerra''. Em latim clássico ''se vis pacem para bellum''. Pax Romana, no caso, beneficiaria ainda mais os malfeitores em detrimento das pessoas de bem.

Ética
Insisto na tese de que a política é atividade essencialmente aética. Todo discurso ético é o desejável, não o possível. Vide o que se dá, de modo geral, no país e, em especial, o ''non sense'' da Câmara Municipal de Curitiba na discussão do tema. Engov, urgente.

Folclore
Paranaguá ainda inconformada com o gesto de Eduardo Requião ao dar as pedras, que pertenciam obviamente à prefeitura local, à cidade de Antonina. Requião, o irmão mais velho, quase fez o mesmo no início do governo ao retirar as cercas do Centro Cívico e que se viu obrigado a devolver ao Cassio Taniguchi, governador da cidade. O que foi feito educadamente e com respeito a regras de cortesia.

Nostalgia
Nas celebrações de ontem dos 51 anos do sacrifício de Getúlio Vargas os mais sensíveis e saudosistas, ainda que estranhando os getulistas de circunstância, pareciam ver na Praça Tiradentes os vultos de Júlio Rocha Xavier, Gastão Vieira de Alencar, Iberê de Mattos, Valdemar Daros, Arlindo Ribas de Oliveira, Matias Júnior e especialmente Aldo Laval que todos os anos lá compareciam para as reflexões em torno da Carta Testamento.

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