LUIZ GERALDO MAZZA
A preliminar
Acreditava-se que o governo, depois de haver ''ideologizado'' a questão dos portos, fosse bastante organizado para o confronto de ontem à tarde naquela audiência pública sugerida pelo presidente Hermas Brandão na Assembléia. O que se percebeu é que o grupo que denuncia o gerenciamento temerário tomou espaços do cenário, o que, de saída, retirou a possibilidade da claque chapa-branca predominar e levar tudo no ''grito'', como é do seu estilo.
O encontro foi importante, mostrou a coragem do deputado federal Ricardo Barros que já tentara o debate na ''escolinha'', vetado pelo governo, e serve apenas de ''aquecimento'' para o embate verdadeiro que ocorrerá no Senado, durante a audiência pública para valer, e que precederá a sua decisão sobre o decreto legislativo aprovado na Câmara Federal que pode implicar na nomeação provisória de interventor federal, tantas são as reclamações da Antac e também do próprio Tribunal de Contas da União, sem falar no estrilo da Marinha, de toda comunidade portuária, dos seus operadores, trabalhadores e exportadores.
Argumentos politizados e sem comprovação como o da cláusula que privatizaria aquele porto, que é federal e cedido ao governo estadual, soariam inúteis numa platéia que quer o debate centralizado em dado técnico e administrativo e que reproduz, de certa forma, o plenário da audiência no Senado.
Na Boca
Domingo, o governador permaneceu por cerca de vinte minutos na Boca Maldita, fez ironias com aliados e adversários, pegou no pé do delegado de polícia mais popular do ambiente, o Aprígio Cardoso, que não é Wyatt Earp e sim o White Duck, o Pato Branco.
Permeabilidade
A interceptação telefônica dos narcotraficantes no Rio mostra apenas o grau de permeabilidade da sociedade carioca, de suas figuras famosas ligadas com a turma do ''outro lado'', tal qual havia ocorrido com o cantor Bello. Figuras do ''showbiz'' esportivo-teatral foram detectadas nos contatos. Essas coisas se aprofundaram no Rio de Janeiro no governo Brizola, 1992, num pacto branco com esse setor do crime organizado em cima da Eco 92, promoção internacional.
PC com filtro
Pelo jeito, o PPS, o PCB pasteurizado e de baixos teores, vai insistir naquela caricatura de ''bom mocismo'' e ''voto limpo''. Até certo ponto o partido busca distanciar-se da cláusula de barreira, algo pior do que as séries ''B'' e ''C'' do brasileiro de futebol, tentando na eleição majoritária fincar bases para uma bancada forte na proporcional. Candidatos serão os de sempre: Rubens Bueno para o governo, Roberto Freire para presidente.
Tentar ser o ''diferenciado'', depois dos últimos eventos, é muito difícil.
Pedágio urbano
No Ministério das Cidades em estudos o pedágio urbano. Em Londres deu certo.
Folclore
Guilhobel Camargo compara o governo Lula a um jogo de truco: no baralho há mais rigor, pois o sujeito pode ''roubar'', mas se for flagrado é expulso.
Caixa
Uma literatura tão forte como a da autoestima, do esoterismo de Paulo Coelho e do empreendedorismo seria uma série abordando o tema do ''caixa, como fazê-lo, como escondê-lo'' para iniciados em política e administração eficientes.
Jacu
Com a interdição do tráfego de caminhões na BR-476 (União da Vitória-São Mateus-Lapa-Araucária) até os jacus voltaram a pousar nas árvores ou no acostamento das rodovias. Sábado vi dois deles. Para o comércio que depende da estrada (postos e restaurantes) a desolação é absoluta.





