LUIZ GERALDO MAZZA
Teste negativo
Se a ''escolinha'' operou como um teste das potencialidades do governador paranaense, do catarinense, do gaúcho e agora do Garotinho, secretário de Segurança do Rio, perdemos feio. Em primeiro lugar, na linha de estadista, Germano Rigotto, mas no viés populista o Garotinho é hors-concours. Como o nosso governador tenta adotar a linha intermediária entre a do doutrinador e do populista fica emparelhado em terceiro com seu colega de Santa Catarina.
Um dos equívocos do ''falar para dentro'' está na desconsideração que se tem do público externo, que não é constituído de áulicos e dotado de espírito de claque. Requião, aliás, foi beneficiado na sua primeira eleição por um erro primário de José Richa: o PMDB denunciara com certidões a aposentadoria do candidato e ele, em sala fechada, como essa da ''escolinha'', disse e com veemência que aceitava o benefício, o que rendeu aplausos internos, depois ainda usados burramente na televisão, mas vaias e muchochos externos.
Bater uma ''bolinha'' com o ''seu'' público é uma coisa e fazê-lo com os demais é outra. Nem todos estão predispostos a aceitar tudo que vem da voz do patriarca do Velho Testamento.
Stica
Quando Requião trazia críticos da política econômica (Bautista Vidal, Mangabeira Unger, Francisco de Oliveira) e o próprio governador se animava a desancar o governo federal na ''escolinha'' nunca se viu qualquer representante do PT defender Lula e a sua linha de administração. Stica foi líder do governo e tal qual o Vanhoni parece pertencer a um alinhamento mais requianista do que lulista.
Pois ontem quis contestar Garotinho nas críticas a Lula e levou um baile. Se isso também foi um ensaio para entrar de vez no PMDB falhou, pegou mal.
Cassação
A compulsão cassatória está na moda: o deputado José Domingos Scarpelini quer cassar o título de cidadania que o Legislativo concedeu a Zé Dirceu. Pelo jeito não teme reversão histórica. Isso aconteceu com Brizola, antes do regime militar, e ninguém se aventurou a cassar-lhe a cidadania. Inclusive o orador foi Rafael Greca, aquele tempo um radical do ''socialismo moreno''. Detalhe: a lei da cidadania de Zé Dirceu é número 14-038/2003 de 1º de Abril. Homenagem à verdade no Dia da Mentira.
70 vezes
Diz-se na Bíblia que um pecador pode ser absolvido setenta vezes sete, o que na verdade tem um significado de infinitude. Não dá para usar esse argumento em defesa do Porto de Paranaguá que a Marinha do Brasil fechou setenta vezes no governo Requião. Veto da Capitania e do Ministério da Defesa. Está aí com toda a evidência a gestão temerária sem falar na bobeira transgênica.
Folclore
Não é só com Lula que acontece o deslumbramento com o poder seguido de uma sensação nirvânica e de corpo fechado para os males. Uma figura austera como Nedson Micheleti enfrenta os horrores da acusação de caixa 2, Beto Richa anda tão empolgado com a fruição do poder que uma antena de telefonia, feita à sorrelfa de madrugada para que a população não protestasse no Pilarzinho, perto do Hospital Bom Retiro, levou o seu nome. Quer dizer: imóvel como o prefeito, mas que ontem agiu num caso análogo na Barreirinha e decidiu pelo embargo do trambolho numa reação comandada pelo vigário da paróquia.
Dispensa
Dispensada a licitação em favor do Instituto Curitiba de Informática ela foi ratificada pelo secretário José Richa Filho no dia 12 de julho.
Operação padrão
Tirar presos já condenados das cadeias e levá-los às penitenciárias é operação padrão que transborda regramento judicial. Não pensem nisso.





