Seis anos da PEC
Dentro de seis dias, neste agosto de sombrios augúrios, chegaremos ao sexto aniversário da Proposta de Emenda à Constituição, PEC, do senador Roberto Requião, de número 70, que derrubava a reeleição do presidente, governadores de Estado e Distrito Federal e dos prefeitos. Nas justificativas, mostrando-se indignado, contra o uso da máquina e a dilapidação do patrimônio público em vários estados, argumentava que o retorno ao sistema anterior ''era norma mais condizente com a moralidade administrativa e a legitimidade das eleições''.
No processo de reeleição, pelo menos até agora, Roberto Requião repete todo o ritual do seu antecessor em termos de mobilização publicitária e de cooptação de prefeitos e deputados. Se a PEC voltar a tramitar, até por força da crise institucional enfrentada pelo país, o nosso governador terá agido profeticamente mais uma vez, como se deu, anteriormente, ao propor o fim dos bingos e que a sequência de atos políticos acabou tornando inevitável no primeiro constrangimento sério da gestão Lula e com o flagrante do assessor de Zé Dirceu, Valdomiro Diniz, acertando com Cachoeira. E não era ''cascata''.
Nada disso impediu que durante a campanha eleitoral para o governo próceres importantes do PMDB como o atual Chefe da Casa Civil, Caito Quintana, e o secretário da Habitação, Luis Claudio Romanelli, fossem flagrados num vídeo pedindo votos e revelando solidariedade a bingueiros que depois foram alvo de cruzada sistemática e policial contra a atividade.

Marketing
Uma das emendas à lei eleitoral visa proibir tanto o showmício (o que vai levar o ''lobby'' da área a operar nos bastidores) como as artes do marketing, o que tornará a campanha mais barata e irritante, sem glamour. O maior comício do Paraná até hoje foi o de Getúlio Vargas em 1950 no Braz Hotel diante de 50 mil pessoas na ''Boca Maldita''. Não tinha dupla caipira, nem cantor romântico. A atração era o político e a última, o orador máximo que venceria a presidência. Sem os retoques na tv, e pelas artes marqueteiras, a coisa perderia a graça.

Folclore
Num encontro da Internacional Socialista, assistido pelo exilado José Carlos Mendes, em Luxemburgo, Leonel Brizola, do socialismo moreno brasileiro, se encontrou com Lionel Jospin, socialista francês, que trocaram saudações:
-Leonel!
-Lionel!

Populismo
Vejam no que dá o populismo delirante das eleições diretas universitárias: em Brasília um bedel apareceu na lista de postulantes ao posto de reitor. Para quem se acha igual a um sem-terra ou qualquer outro excluído é absolutamente normal, ainda que com um traço insuportavelmente demagógico. Uma confissão: nos tempos em que eu acreditava nessas ''transfigurações'', início dos anos 60, figurei numa passeata de lixeiros, que não eram garis como hoje, e, ainda por cima, servidores municipais. Foi a primeira e única, até hoje, greve da categoria. E fiz ainda na Assembléia um discurso altamente prolixo.
Nesse tempo achávamos que a história dependia de nós. Sem nós seria o caos. O mais grave é que os ''outros'', que não pensavam como nós, eram ''alienados''.

Porto inseguro
Se faltava algum argumento para evidenciar o mau gerenciamento dos portos do Paraná veio essa da interdição da navegação pela Capitania dos Portos. Agora não dá para tergiversar como vem acontecendo. Repercussões foram mundiais. Querem jogar a culpa na praticagem. Um choque entre teoria e a prática. Se em lugar de reparar as bóias forem tocar perícias e processos administrativos, o porto ''fica a ver navios'' por mais tempo.

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