Salvarão a Copel?

Assinei, junto com os meus familiares, a petição que instruía o projeto de iniciativa popular que proibia o governo estadual de leiloar a Copel como se tentava fazer em função do ''modelo energético'' e que Jaime Lerner com muito açodamento abraçou. A iniciativa foi derrotada e até mesmo a tentativa de transferir a discussão arregimentou de tal forma os grupos antagônicos que só encontrou a decisão com o voto de Minerva do presidente do Legislativo.
Tudo se encaminhava para uma solução próxima da que ocorrera com o Banestado, uma necessidade inquestionável como ''produtor de moeda'' e de facilidades que vieram a ser evidenciadas depois do leilão com o escândalo das CC-5. O que impediu a alienação da estatal de energia não foi a brava resistência das ruas como alguns ingênuos querem crer. O mercado, este Deus que Requião deplora, em função da derrubada das torres geminadas em Nova York e ainda mais do apagão que se generalizava pelo Brasil, rejeitou a jóia da coroa. O mercado, como se vê, tem razões que o coração desconhece.
Pois bem: a Copel está aparentemente salva, mas sujeita a desaparecer do mapa em função do incidente com a Usina de Gás de Araucária, caso a decisão da Corte Arbitral de Paris dê ganho de causa à multinacional El Paso, que conta com o respaldo de escritórios de advocacia norte-americanos. Calcula-se um prejuízo, se isso desgraçadamente ocorrer, de mais de US$ 800 milhões, o que, nas circunstâncias atuais, significaria a mesma coisa que se tramava nos planos de privatização. Quem tranquiliza o governador especificamente nesta pendência é o diretor jurídico da estatal, competentíssimo, Assis Correa, que acredita na vitória.
Vamos acender velas pela Copel que tem uma história mais importante do que a dos governantes de plantão, seja de Lerner que pretendeu vendê-la ou Requião que levou para a estatal o projeto das rescisões contratuais que marca afinal e que tem uma dimensão temerária como se viu no pacto acionário da Sanepar e no caso paradigmático do pedágio, apesar da solução esperada.

Estouro
Fala-se que o prejuízo dos fundos de pensão do Paraná, entre eles o da Copel e da Sanepar e Emater, também o da Itaipu, com as aplicações no Banco Santos, vão assustar meio mundo pelo tamanho do ''mico'' da ordem de centenas de milhões de reais. Aliás, na hora em que as investigações das CPIs chegarem nos fundos de pensão teremos exposto algo mais do que a parte visível do iceberg.

Amém
Trocadilho novo na praça: saudar o mensalão com um amém. Amémsalão.

Resistência
A Polícia Civil está com indicativo de greve e não é para brincadeira. Nem a cooptação de dirigentes do Sinclapol, como se deu com Luis Bordenowski, é suficiente para conter os ânimos como se viu na deseducada intervenção dos policiais que interromperam uma sessão legislativa. Outra área determinada em matéria de resistência é a do pessoal da Emater contra a autarquização desejada pelo governador. O PT pode decidir a parada. É claro que a sua área mais requiônica do que lulista estará a postos como governista. Há no entanto a perda de uma base sindical importante.

Folclore
A lista do Pimenta, que entrega gente do PSDB, seria falsa. O pior é que o autor da denúncia é sub-relator da CPI, o que mostra como é que se pratica a ética na área da política. A revolta nos acusados é de tal ordem que não deixam por menos a sua cassação. É o misturador de vozes, a que tenho me referido, operando a todo vapor. Quando a chantagem, em todos os lados, ganha dimensão de heroísmo é porque estamos perdidos.

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