LUIZ GERALDO MAZZA
Emulação perdida
No governo Lerner, volta e meia, o secretário de Planejamento, Miguel Salomão, enunciava que o Paraná havia passado o Rio Grande do Sul em renda interna. A publicação ''Amanhã'', sediada em Porto Alegre, mas voltada para todo o Sul do País, fez projeções também nessa direção, porém até hoje isso não aconteceu.
Se no referente a Produto Interno Bruto continuamos perdendo, é maior a diferença quando ela é voltada para indicadores sociais, sejam os relativos à escolaridade ou à expectativa de vida. Santa Catarina e Rio Grande do Sul detêm números fortes e por isso acabam, com o cruzamento dos dados sociais e econômicos, bem situados no que diz respeito ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O mais elevado do País é o do Distrito Federal, pela circunstância de liderar folgadamente a questão da renda e não se dar mal no fator social.
O IDH de Santa Catarina é o segundo do país com 0.822 (Brasília tem 0.842) e o do Rio Grande do Sul o quarto com 0.814. Em escala descendente vem o Rio de Janeiro, com 0.807, e depois o Paraná, com 0.787.
Nossas práticas de triunfalismo obscurecem a realidade e perturbam, por uma via psicológica, a tarefa dos que se incumbem do planejamento ou da avaliação cuidadosa desses fatores. No primeiro governo Requião havia o ''teaser'' bem nessa linha ''O Brasil que está dando certo''. Hoje foi ligeiramente mudado, conservando a euforia: ''Paraná: é aqui que o Brasil começa a dar certo''.
Há muito tempo essas fantasias e elas vêm de governos realizadores como os de Ney Braga e Paulo Pimentel alimentam o nosso imaginário. Mas avanço, que é bom, não há. Basta recordar que Pimentel, numa gestão realizadora, acenava com o Paraná transformado em segundo estado do País. Não o consegue nem no Sul, essa é que é a dolorosa verdade.
Testemunha
Testemunha como o Marcos Valério, driblando todo mundo, não é testemumunha?
Escolinha
Tão chata a ''escolinha'' do Requião que dá vontade até de ouvir aulas de verdade e de gente que saiba lecioná-las, por mais complexas que sejam.
Entropia
O que cansa mais: essas CPIs ou a ''escolinha''?
Gradual
Governo e prefeitura de Curitiba prometeram organizar os catadores de papel e isso desde aquela operação-monstro na Vila Pinto. Agora foi criado restaurante popular de um real para atendê-los. Num limite de 300 cadastrados. Se deixarem de ser explorados por mediadores dispensáveis terão renda melhor. É hábito brasileiro, o gradualismo. Antes da abolição tivemos o ventre livre e a lei do sexagenário.
Litoral
O primeiro projeto criando a Universidade do Litoral foi de autoria do Nelson Bufara há vinte anos passados e que Richa não aprovou até porque o terceiro grau estava ''estourando'' o orçamento.
Folclore
Há quem imagine que essas tediosas sessões de CPIs podem se constituir num curso intensivo, bem à brasileira, de como consolidar a impunidade, apesar da vasta matéria de prova disponível.
Prorrogação
Uma coisa que o PT não tem coragem de fazer, a prorrogação dos mandatos dos seus dirigentes, está ''pintando'' na Universidade Federal. Eleições diretas facilitaram a presença do ''baixo clero'' e a criação de um consulado político em que o distribuidor de panfleto vale mais do que o mérito acadêmico.





