Nas calendas do mito

A crise brasileira deve expandir-se no mês de agosto, sabidamente tido como aziago, como também indicar o rumo da queda na hipótese do acordão bastante referido como possibilidade, o que na terra de Macunaíma não espanta. Como enganar todo o mundo ao mesmo tempo é difícil, certamente veremos o governo federal apelando para o cortejamento das massas, uma espécie de ''chavismo'' com filtro, como se estivesse respondendo ao que sugere ser uma conspiração das elites, agora não mais utilizando com a frequência anterior as manobras espetaculosas da Polícia Federal, prova de eficiência, mas também um recurso desviacionista.
Até aqui o que blinda Lula é justamente o que é mais combatido pela esquerda populista: o efeito-demonstração da política econômica e que mantém níveis de estabilidade satisfatórios em quase todos os indicadores. O PT e os moralistas de um modo geral bebem do próprio veneno ao serem apanhados em flagrante na prática do que mais condenavam até para exaltar seu patrimônio ético. Sugerir que Lula e José Dirceu nem imaginavam o que acontecia é difícil aceitar.
Um dos motivos de tanto alheamento talvez esteja no deslumbramento quase monárquico que se percebia nas mínimas coisas. Sabe-se agora que até a conta da festa da posse foi paga pelo operador Marcos Valério. Bem como a dos trabalhos advocatícios do jurista Aristides Junqueira no desdobramento do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André.
Na marcha dos acontecimentos, por sua força capilar, teremos revelações como essas que levaram à descoberta do Caixa 2 em Londrina ou a de que o BMG, que aparece no processo, teria financiado tanto Ângelo Vanhoni como Beto Richa e dado uma notinha de R$ 50 mil à campanha de Requião, o que nada tem de mais se processado nos conformes da legislação, no entanto criando formas precipitadas de julgamento negativo, o que é apropriado ao mundo político.


Boletim

Muito bom o Boletim da Faep relativo ao decreto legislativo que submete os portos do Paraná ao risco de intervenção. Mostra que o governo falta com a verdade sobre a licitação do Cais Oeste que era apenas um dos itens das obras civis. Elas abrangiam remodelagem dos berços de atracação numa extensão de 1.106 metros e a construção de cais de múltiplo uso no Cais Oeste com 820 metros; dragagem de aprofundamento da Bacia de Evolução no prolongamento do novo cais e nos berços remodelados; dragagem da retroárea do cais de uso múltiplo e aterro hidráulico da área e a derrocagem da Pedra da Palangana, próxima ao setor leste do cais comercial. Enfim uma obra de fôlego que importaria em R$ 190 milhões integralmente pagos pela União. O governador achou que era caro (denunciou, bem no seu estilo, superfaturamento) e decidiu por um novo convênio e levou tudo à inércia.
A desmistificação é radical e mostra como o feito atribuído à gestão com o término das filas de caminhões se deu porque houve queda drástica no movimento de 22%, só em relação ao primeiro semestre do ano passado.


Dobrandino

O líder do governo Requião e ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Dobrandino Gustavo da Silva, vai ter que recolher o que pagou indevidamente por admissão de pessoal daquela prefeitura, via concurso interno, no exercício de 1996, bem como verificar se foram devolvidos os servidores aos cargos e funções de origem. Quem fez a condenação foi o Tribunal de Contas, 16 de junho de 2005.


Folclore

Uma das observações de Roberto Jefferson sobre o gabinete de Zé Dirceu de que não teria jamais visto Marcos Valério é hilária ao argumentar que de fato não é fácil identificar alguém com calva tão luminosa. Pode até ser mentira, mas que é bem sacada não se pode negar.

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