Requião e Canet
A bajulação é algo que não tem limites. O secretário de Obras, Luiz Dernizo Caron, merece a observação de Roberto Requião de que na arte de agradar o chefe ninguém o supera. Disse que o atual programa de reparos, na maioria dos casos ''tapa-buracos'' e, apenas em alguns caracterizando ''reconstrução'' nas estradas, seria equivalente ao plano de ''construção'' de 4 mil quilômetros de rodovias de Canet Júnior que se transformaram em modelo adotado pelo Banco Mundial, internacionalmente, de pavimentação sub-dimensionada.
Os elogiadores contumazes, a despeito das seguidas e ácidas observações de Requião caricaturando-os com a lembrança de que ''o saco do patrão é o corrimão da glória'', se tornam condoreiros na arte, ainda mais porque confiam na ausência de memória da maioria das pessoas. Essa analogia, pelo absurdo, não merece observação. Simplesmente o interessado, no caso o elogiador, está enchendo a bola de si próprio, já que coloca uma lupa, dotada de imenso poder aumentativo, nas coisas que está fazendo ou tenciona fazê-lo em cima do excesso de propaganda também potencializada, como se vê nos outdoors em todo o Paraná. Uma coisa é construir estradas de início, meio e fim e outra tapar buracos e fazer reparos não na totalidade das rodovias detonadas, mas de uma forma diluída no território estadual com um discurso, uma retórica, muito maior do que o feito a celebrar.

Obras de sobra?
Apesar do oba oba, há denúncias de irregularidades como as presentes na operação de empreiteira junto com a BR-Distribuidora, fornecedora da emulsão asfáltica e tida como alvo dessa misteriosa operação ''Grande Empreitada'', aí também de mais espalhafato do que do desejável ''espalha-asfalto''. Uma das obras postas como destaque foi a da reconstrução do Fórum que teve os serviços interrompidos justamente no primeiro governo Requião por artes do seu diretor do Decom, o Luis Henrique Bonaturra, em cima de supostas anomalias na obra que foi licitada na gestão Richa e teve continuidade com Alvaro Dias. Luis Henrique, hoje afastado de Requião, ainda recentemente foi personagem de um episódio de denúncias na Assembléia e no qual acabou se desacreditando e ajudando o governo por excesso de vaidade e personalismo.
Primeiro o governo ''faturou'' politicamente a denúncia, jamais comprovada com toda a clareza, de que havia defeitos no Fórum e determinou a sua suspensão e agora se credita nos méritos de tê-la cortado como um bolo de aniversário. Essa de promover-se com o ''fazer'' e ''não fazer'' é piramidal.

Enxuto
Agora o ex-governador Jaime Lerner não pode ser chamado de ''Fofão''. É que depois do miniacidente vascular que sofreu (não tem mais o ritus do lado esquerdo da face que se seguira à crise como sequela, discreto, quase imperceptível) passou a cuidar da gula compulsiva, com a esposa, Fani, patrulhando-o, e perdeu nada menos, até agora, de 12 quilos. Há, ainda, gordura pra queimar, mas ele anda até satisfeito, pois elegeu o vice como o seu sucessor na UIA, União Internacional dos Arquitetos, e seus projetos nacionais e mundiais continuam a pleno vapor. Nem por isso se desliga da província que o projetou.

Apuro
Além do boicote simbólico ao vale-refeição, a área da hospitalidade (bares e restaurantes) mantém outra batalha por causa dos juros contra os cartões.

Itaipu
Roberto Jefferson, em seu depoimento, citou Itaipu, onde o PTB tentou emplacar Joaquim dos Santos Filho como diretor e não conseguiu. Uma das políticas de tradição tem sido a de prestigiar seus quadros e gente do Paraná, e isso vem desde o regime militar.

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