LUIZ GERALDO MAZZA
Ser ou não ser
''Ser ou não ser, ao mesmo tempo, é que não pode ser'', argumentava o meu professor de filosofia. O monólogo de Hamlet é uma das mais celebradas incursões epistemológicas sobre ontologia, metafísica, o escambau. Também é, de certa forma, a pregação da dúvida como expressão mais adequada de valores com vantagens óbvias sobre as certezas e o mito da exatidão. Como se trata de uma reflexão também entre realidade e aparência, dá para aplicá-la na transição entre ''ser estilingue'' e ''ser vidraça'', como ocorreu com o PT.
A contingência do estilingue é bem mais cômoda, obviamente, do que a de vidraça. É preciso considerar que o PT teve experiências bem menores do que a atual, a Presidência da República, quando assumiu prefeituras de porte, inclusive a maior do Brasil, a de São Paulo, primeiro com Luísa Erundina e depois com Marta Suplicy. Em quase todas elas houve denúncias, uma delas atingindo Greenhalg, vice de Erundina, denunciado no caso Lubeca e uma, bem abrangente, alcançando um compadre de Lula, que lhe cedia a casa, e prestava serviços de consultoria a prefeituras petistas. Houve casos mais agudos e submetidos a esforços institucionais de ''abafa'', como o de Santo André, onde os fatos ganham dimensão trágica face ao assassinato do prefeito Celso Daniel que, segundo a família, andava inquieto com denúncias de coisas parecidas com o ''mensalão'' sistêmico. E no Rio Grande do Sul tivemos a evidência do uso do jogo do bicho, na administração estadual de Dutra, para financiar fundação que drenava recursos para o PT.
Um partido não pode ser apenas estilingue pela circunstância de ter, isso no mínimo, uma perspectiva de poder. Alguns pensadores à direita entendiam, como Jônatas Serrano, que o socialismo seria válido como idéia em movimento, jamais implantado. A nobreza do ideário seria impossível de alcançar na prática, daí valer como uma referência permanente em torno da liberdade, alvo dos liberais, e da ''socialização'', expressa na igualdade. Uma utopia, enfim, que seria uma ponte entre o ''desejável'' e o ''possível''.
Razoável, embora nem sempre, como estilingue, vive mau momento como vidraça.
Surf
Greca quer fazer surf na onda do mensalão e agradar Requião ao mesmo tempo: botou José Dirceu no superfaturamento (R$ 230 mi) do cais oeste de Paranaguá e destacou a resistência do governador. Mais uma razão para audiência pública em Brasília sobre a questão dos portos. Urge ouvir o outro lado, também, a não ser que haja a suspeição de que todos estão envolvidos na sacanagem.
Caixa 2
Londrina está experimentando algo parecido com a pressão havida na Capital com a denúncia do Caixa 2 de Cassio Taniguchi. Denúncia deu em nada, era potencializada (pouco mais de R$ 3 milhões virou R$ 30 milhões ganhando até a mídia nacional), mas inviabilizou o prefeito como candidato ao governo. Agora só falta incluir a ocorrência na CPI dos Correios, uma vez que Marcos Valério entra como operador.
Transgenia
Diz-se por aí, à boca pequena, que a soja transgênica não passa no Porto (e isso por falta de provocação, já que o primeiro mandado de segurança emplaca e a farsa desaparece), mas que isso não ocorre com o farelo.





