LUIZ GERALDO MAZZA
Paraná, um periférico
Nesta semana vimos o presidente Lula, devidamente agauchado, na cerimônia inaugural da Universidade dos Pampas, mais um núcleo federal do terceiro grau. Isso decorre do prestígio e da credibilidade dos políticos do Rio Grande do Sul, tarefa iniciada por Tarso Genro quando no Ministério da Educação acabou federalizando todas as unidades universitárias estaduais.
No Paraná o governo estadual continua assumindo os ônus pesadíssimos dessa área sem qualquer sinalização que pudesse amainar a dureza do compromisso. Dá para imaginar o impacto nas contas públicas da regularização das dezenas de milhares de servidores e ainda o reajuste recente.
Já tivemos, só no Ministério da Educação, nomes importantes como o de Flávio Suplicy de Lacerda, Ney Braga e Euro Brandão e assim mesmo não federalizamos uma só das nossas universidades sem contar que o Hospital de Clínicas é um dos poucos do país que não tem o pagamento do pessoal à conta da União. Não custa lembrar também que, de 1954 para cá, tivemos na pasta da Saúde os ministros Aramis Athayde, Borges da Silveira e Alceni Guerra e que não houve qualquer ganho nas reivindicações relativas ao Hospital de Clínicas.
Mais recentemente tivemos a negativa ao Hospital da UEL de certificação científica para operar como hospital-escola, evidência de desprestígio político por ser inconcebível que num centro como Londrina, indiscutível área de excelência em vários campos ligados à saúde, não se preenchessem os requisitos exigidos. Felizmente aí houve reversão.
Se a Universidade Federal não assumisse o projeto da Universidade do Litoral, idéia de Requião, ficaríamos na mão. Inclusive no tão politizado caso do Porto (é verdade que o nosso governador vive às trombadas com órgãos que comandam a área) o que se percebe é que inexistem investimentos federais. Só há uma explicação: ausência de prestígio, alheamento, vale dizer periferia, apesar de tudo o que representamos no conjunto da economia do país.
Contra-informação?
O Sinclapol marcou assembléia para 3 de agosto sem qualquer pauta. Como se saiu mal até aqui na condução do pedido de reajuste para a classe na base do terceiro grau (a formatação foi considerada inadequada e ilegal pelas pastas da Administração, Planejamento e Procuradoria Geral do Estado) está havendo um movimento que prega a desfiliação em massa. Até o Centro de Comunicação e Operações da Polícia foi mobilizado nos últimos dias atacando o vice Luis Bordenowski e pedindo o esvaziamento da entidade. Os interessados na causa querem uma nova entidade para negociar, aproveitando a retomada das sessões do legislativo estadual.
Não se trata de operação destinada a apoiar Requião que teria prometido, em caso de greve, convocar a PM nas repartições, mas a detonar o Sinclapol que estaria cooptado pelo governo desde o momento em que Bordenowski assumiu a Ouvidoria. Denorex tinha jeito, cheiro e composição de remédio, mas, como dizia o anúncio, não era. Essa tem jeito de contrainformação, mas não é.
Blindagem
''Blindar é preciso. Apurar não é preciso''. Como já citaram Marco Túlio Cícero nada mais apropriado do que parodiar o Pompeo romano sobre o navegar.
Folclore
José Carlos Mendes via como natural o empenho agora para a tal agenda comum entre governo e oposição e dizia que a causa disso seria a descoberta das conexões entre Marcos Valério e os tucanos em Minas. ''São todos iguais.'' Aí o Amaral Comunista alertava que igualdade é fundamento-chave do socialismo, mas igualdade na canalhice não se presta como valor e sim macunaísmo.





