Ascensão e queda
A erosão na imagem de Lula, embora todo o esforço para blindá-lo, agora com o notório apoio da oposição, é um exemplo de ascensão e queda vertiginosas. No imaginário do brasileiro todas as utopias encontravam nele o mais qualificado dos destinatários, numa escala que ia do democrata radical ao socialista gradual e chegava aos extremos de incorporar a figura de Antonio Conselheiro.
Mesmo que os esforços desencadeados para conter as investigações sejam afinal bem sucedidos, o Lula que emergirá da crise terá perdido boa parte do seu halo de santo-herói, o que será bom para ele, para o Brasil e seus seguidores. A perda de pureza, sempre artificiosa do PT, que mudava muito e ia se comprometendo nos vícios político-administrativos nas gestões estaduais e municipais acabou se tornando compacta em Brasília e numa escala de fraudes nunca antes registrada na vida brasileira.
Também aqui na província tivemos um caso de ascensão e queda na figura de Elizabeta Zanella que sempre se configurou como a maior das expressões de cidadania pelo papel desempenhado na morte do seu filho, Rafael, pela polícia e a tentativa dela em exibi-lo como traficante. Sua intervenção desmascarou uma farsa muito comum em desvios policiais quando se tenta, na base de clara manipulação, atribuir a uma vítima dos seus abusos a autoria de crime. Pois nesta semana dona Elizabeta foi presa numa operação policial, juntamente com dois irmãos, pelo crime de receptação de mercadoria roubada.
O exemplo de coragem e determinação, ao desmascarar a farsa policial, punha em destaque a cidadania que não se conforma. Agora, mesmo, que ao final do processo não tenha a carga de culpa, que ora lhe é atribuída, desfaz-se a aura mítica e heróica que angariou com todos os méritos.
Duas histórias de brasileiros de dimensões diferentes e de como elas mexem com a idealização que as pessoas fazem dos seres incomuns.

Prestidigitação
A política é também a arte da prestidigitação: a baixa da tarifa dos ônibus em Curitiba (via subsídio pela Urbs) e a guerra do Porto que todos sabem ser federal e sem sinais de privatização e cuja algaravia visa impedir que aquelas deficiências apontadas pela Antaq, operadores, Faep e Tribunal de Contas da União sejam examinadas no âmbito apropriado, o parlamento nacional.

Engajamento
Uma dos vícios contemporâneos é o de tentar anular os entes intermediários entre o Estado e o Cidadão. Quando o governo coopta alguém como se faz aqui com o Sinclapol com a nomeação do seu presidente, Luis Bordenowski, para a Ouvidoria da Segurança e o presidente do CREA para um posto na Copel há o risco de o alinhamento tirar a independência da organização. A Prefeitura de Curitiba impôs a substituição da tesoureira da Federação dos Moradores e o caso foi ao Ministério Público, todavia é exemplar.
Agora curiosamente, como não emplacou por falta de base legal o aumento dos policiais, eles marcaram assembléia com sinalização de greve para agosto, e o governo e parte do sindicato (a chapa branca) reagiram com o anúncio de desfiliação em massa, o que é comunicado pelo rádio da própria polícia.
Assim é nossa democracia de opereta e com o Estado Corporativo.

Folclore
Delúbio Soares, segundo ''Veja'', declarou ao procurador da República que a festa da posse de Lula teve que ser bancada por Marcos Valério em empréstimo. Governo nega. Deslumbre tem custo que às vezes não cabe na caixa do partido.

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