LUIZ GERALDO MAZZA
Copel em auditagem
Ontem, durante quase todo o dia, uma comissão de servidores da Copel, orientada pelo seu diretor jurídico, Assis Correa, procedia auditagem em setores da empresa. Prova de que ela afinal não é tão inexpugnável, como se apregoa, com algumas operações de alto risco, além das trombadas que Requião manteve com a ex-ministra Dilma Roussef, ainda que no bom propósito de fazer prevalecer interesses regionais hostilizados pelo modelo energético.
Poucas coisas chegam ao público sobre a estatal super-protegida. Tanto que a investigação da Kroll, que deu margem a um furo jornalístico desta ''Folha'' sobre o seu fundo de pensão, provocou estarrecimento. Como também a evidência, pouco depois, das aplicações no Banco Santos hoje devidamente quebrado e com precárias condições de atender credores que fizeram operações de risco.
O modelo energético aciona uma bomba-relógio sobre as perspectivas de a Copel cumprir o seu papel e com o desempenho que apresentava anteriormente. E se não bastasse isso há o risco da perda de uma batalha deflagrada com a Usina de Gás de Araucária, tanto junto à multinacional El Paso (que pode ganhar a disputa na Câmara Arbitral de Paris), isso sem falar que também a Petrobras, como uma das associadas terá demandas a fazer contra a empresa. Isso pode sair caríssimo (cerca de R$ 1 milhão) num momento de ''vacas magras''. Há, porém, uma pessoa que acredita na vitória da Copel em Paris: o advogado Assis Correa que não se confunde com áulicos e adota posições técnicas em relação ao caso.
Porto nosso
Ninguém mais do que Paranaguá depende do Porto e a cidade está engajada no movimento que defende a manutenção do terminal. Com uma pequena diferença: ela quer o porto municipalizado, conforme ato comandado ontem naquela cidade pelo prefeito José Baka Filho. Portuário de profissão, Baka tem argumentos novos, já que não emprega os de natureza ideológica sobre ''federalização'' (o que é absurdo porque os portos são federais) e ''privatização'', outra falseta já que o modelo de exploração vem da reforma portuária e que estabelece um padrão de convivência entre o público e o privado dentro de normas rígidas.
Pretende-se no caso da denúncia, consumada pelo decreto legislativo da Câmara Federal, do convênio a possibilidade de uma investigação, feita pelo Ministério dos Transportes, Antaq (Agência de Transportes Aquaviários) e Tribunal de Contas da União com um interventor independente e que remova a resistência às ações de fiscalização e ao cumprimento das normas que insiste em não observar.
Ambivalência
Pesquisa Datafolha mostra que Lula é o mais citado como honesto (19%), mas também aparece em sexto lugar (7%) ao lado de Maluf como mais desonesto. E FHC aparece em terceiro (9%) como desonesto e em sexto, empatado com Garotinho, com 4% de mais honesto. É ambivalência para ninguém botar defeito.
Bispo Chico
O segundo bispo no Brasil nomeado pelo Papa Bento XVI é o padre Chico, de Ponta Grossa. A notícia provocou euforia na cidade e, ao mesmo tempo, desalento porque o bispo Francisco Carlos Bach vai atuar em Toledo, no Oeste. Ele leciona há 28 anos no seminário e fixou raízes fortes na cidade por sua atuação como comunicador, dirigente da rádio Santana e apesar de suas posições, muito próximas das do papa, é irreverente e faz disso a sua empatia.
Ponta Grossa já tem o presidente nacional da OAB e agora um bispo.





