LUIZ GERALDO MAZZA
Pobreza de quadros
Pode-se concordar com tudo o que venham a dizer os componentes da CPI dos Correios, menos com a concordância gramatical, especialmente a de número. Até o presidente, senador Delcídio Amaral, que se sai razoavelmente no papel, disse que se sentia ofendido com a suspeita de que os integrantes não recebessem todas as informações e por isso manifestou a sua ''indignidade'' quando queria dizer indignação.
A depoente, Renilda, pedagoga, usou a palavra ''seje'' pelo menos duas vezes, tal qual se deu com um mestre da Universidade Federal, meses passados, ao falar sobre a chefia do departamento que ocupa numa entrevista ao canal da nossa principal unidade de ensino superior.
Um parlamentar com um mínimo de conhecimentos dá a impressão de ser um Joaquim Nabuco ou um Rui Barbosa, dado o baixo nível da esmagadora maioria, inclusive ansiosos para os minutos de glória proporcionados por essa farta exposição televisiva. Quando um Osmar Serraglio, deputado-relator, dá mostras de conhecimentos não excepcionais, mas bem formulados, com senso claríssimo de contenção e das referências bibliográficas, acaba se tornando um diferenciado.
Da mesma maneira que muita gente está se promovendo com a veemência, como no caso da senadora Heloísa Helena, e o conhecimento jurídico no da deputada e ex-juíza Denise Frossard, e do nosso Gustavo Fruet, a conduta geral não merece boa nota. Esquecem-se esses atores que da mesma maneira que aparecem podem pisar na bola, como fez o senador Delcídio Amaral ao referir-se a Ana Karina como personagem de Tolstoi, quando se tratava de Ana Karenina.
Nesse espetáculo realmente o que vale é o talento como o do diabólico Roberto Jefferson, que a despeito do seu desempenho é tido como o corrupto maior do Brasil, segundo o Datafolha. Prestou, no entanto, um serviço excepcional ao País ao tocar nas entranhas do contubérnio público-privado.
Copel
O governador criticou o mercado por causa da baixa das ações da Copel, mas deveria saber que é uma tradição a Cemig estar melhor colocada. Se a Copel perder a parada contra a El Paso, no segundo trimestre de 2006, desanda.
PC sim, Valério não
Sempre foi usado o critério de chamar de PC dos nossos políticos o operador financeiro das campanhas. Discute-se agora se temos ou não Marcos Valério.
Pode até haver escola parecida, jamais a escala.
Deslumbre
Curitiba perde qualidade de vida e posições no ranking. Violência, tema de responsabilidade estadual, é causa maior. Mas na Capital cai o nível do sistema de transportes e o do trânsito, responsabilidades da prefeitura, cuja equipe parece deslumbrada e surfa suas emoções nas colunas sociais.
Porto
A Associação de Exportadores do Brasil quer que a administração do Porto devolva a ela o que deixou de aplicar, pois dos R$ 40 milhões, que teria recebido investiu pouco mais de 4% desse contingente. E relata o acúmulo de deficiências pela gestão temerária entre os quais o fato de a Capitania dos Portos ter proibido navegação noturna por não haver troca de lâmpadas queimadas nas bóias. Por essas e outras é que a audiência pública tem que ser em Brasília até para liquidar de vez a idéia da federalização.
Folclore
Se o governador continuar ganhando cavalos de presente pode figurar na próxima série de anúncios da terra de Marlboro. Em Portugal, os anúncios do cigarro venderam mais cavalos que tabaco.





