Ainda o porto
O presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão, quer audiência pública sobre o porto no espaço que administra. Não é adequado, já que o assunto ganhou outra dimensão com a tramitação do decreto legislativo que abre uma possibilidade de intervenção e a instância adequada seria a Câmara Federal, que já se posicionou, ou o Senado que pode retificá-la ou ratificá-la.
Obviamente se sair a tal audiência aqui ela se dará em clima tempestuoso equivalente ao do projeto de iniciativa popular contra a venda da Copel, que Hermas Brandão, com seu voto, ajudou a sepultar na votação da proposta para transferir a decisão. Se sair aqui teremos a repetição do espetáculo pela forma como o governo pretende conduzir o processo e o fará na base do medo, da intimidação, do cerco da Casa, pelos caminhoneiros, sindicalistas de variada extração, estudantes, MST. É reincidente específico e genérico na arte.
A questão do porto é grave demais para ser decidida no grito das claques. O caso é claramente de gestão temerária e se ficar demonstrado, pelas análises batimétricas, que a dragagem que já foi paga e não foi feita aumenta o risco Paranaguá para a navegação, o que influi na questão dos seguros, ainda mais se embarcações de porte só puderem operar com maré alta.
O interesse em faturar um assunto estratégico não espanta. Até o prefeito de Paranaguá, o José Baka Filho, está com a tese da municipalização, o que nada tem de absurdo, já que o maior porto do mundo, o de Rotterdan, apresenta essa característica.
Defesa dos portos paranaenses, tudo bem. Mas com o exame amplo de todos os desvios apurados por órgãos federais e numa das câmaras do parlamento. Lá haveria mais serenidade e espaço para o governador, com seu talento, mostrar a trama conspiratória que alega existir para a privatização dos terminais e identificar as multinacionais que nos ameaçam.

Arrependimento
Pelo jeito está igualmente traçado o roteiro da expiação: ontem foi o Sílvio Pereira, que deixou o partido e vai devolver o carro presenteado; depois virá o Delúbio que não poderá devolver o distribuído. Arrependimento eficaz seria ter devolvido o regalo há mais tempo.

Salva alguém?
De repente, diante do desenrolar das apurações, com o aumento significativo de parlamentares envolvidos, é bem capaz de chegarmos aos 300 picaretas de que Lula falou. Aí estaremos mal e sujeitos a uma crise inimaginável. A idéia de antecipar eleições jogaria outra questão: só depois de depurado o Congresso.

Anulação
Matérias importantes como a da reforma previdenciária que feriu direitos adquiridos dos servidores públicos poderiam ser questionadas judicialmente em função dos vícios de origem na possível compra de votos. É a construção do caos. Depois que o presidente do STF, como constituinte, admitiu que a Carta inscreveu artigos que não foram sequer discutidos, aceita-se tudo.

Acidentes
A BR-476, tanto no sentido Lapa-União da Vitória, como no recém-concluído que vai de Bocaiúva do Sul em direção a Ribeira, é a nova estrada da morte. Como o traçado da Ribeira não foi retificado, a curiosidade em conhecê-la está sendo altamente mórbida, batendo recordes de acidentes.

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