O medo do vice
O Brasil quase sofreu crises institucionais por causa do vice. E isso vem desde o início do ciclo republicano. Na contemporaneidade, tivemos Café Filho substituindo Getúlio Vargas e olhado como golpista e interessado em impedir a posse de Juscelino Kubitschek, e mais recentemente a tentativa de bloqueio à posse de Jango em função da renúncia de Jânio obstaculizada por Brizola em 1961, seguida da invenção parlamentarista (Tancredo no meio) e do retorno ao presidencialismo e depois o golpe.
No golpe impediram que o vice de Costa e Silva, o mineiro Pedro Aleixo, assumisse. Há até a piada do bilhete rimado: ''Nada fiz// nada deixo// assinado// Pedro Aleixo//''. O mineiro era um dos quadros mais densos do liberalismo (o sério) brasileiro.
Mais recentemente tivemos Sarney como vice assumindo o lugar de Tancredo, de forma irregular, e após o Itamar Franco substituindo o defenestrado Collor. No momento o vice de Lula é o temor do empresariado. É que ninguém da área quer mudanças na economia, o que ocorreria e de forma desastrosa caso José Alencar fosse entronizado. Assim fica claro que Palocci é o fiel da balança e o fator de sustentação o modelo econômico. O empresário assusta o empresariado muito mais do que o ex-operário (faz tempo que é político profissional, 25 anos).

Cara e coroa
''Caras'' tem o seu oposto na ''Caros Amigos'' em cuja capa do último número aparece Requião e o título ''Um governador que enfrenta as multinacionais''. Se ganhar tudo bem e se perder seremos nós que pagaremos por essa batalha.
O último antípoda de ''Caras'' foi ''Bundas'' de Ziraldo e que tinha o slogan ''Quem mostra a bunda em Caras não põe a cara em Bundas''. Dançou. E com o projeto dançou também o empresário paranaense Gilberto Camargo.

PT ambivalente
Presidente do diretório municipal de Curitiba do PT diz que o partido não tem ''caixa dois'' e que não recebeu grana da direção nacional. Ângelo Vanhoni diz que houve ''maná'' federal na campanha. Batem-se mais que a defesa coxa.

Gilda
Cineasta do Rio está em Curitiba para contar a estória da ''Gilda'', travesti popular que se notabilizou por sua atuação na Boca Maldita. E que esclarecia: não era a Gilda da Rita Hayworth do filme famoso, mas Gilda de Abreu, a mulher do cantor Vicente Celestino. Nacionalismo é isso aí.

Folclore
Um dos bons momentos do governador na ''escolinha'' ontem foi dar o exemplo de ''voto distrital'' de Caíto Quintana, que tem base política no sudoeste, no oeste, no sul e até (Andrezito) na Argentina. Aliás, ele comanda a cooptação de prefeitos eleitos por outros partidos e nem os interessados nesses espaços dentro do partido ''chiam''. A conspiração do silêncio o beneficia.

Bem amado
Em Iporã há uma situação que lembra a do coronel Paraguaçu que queria inaugurar um cemitério e não o fazia por falta de defunto: a capela mortuária da cidade ficou longo tempo sem uso por denúncias de irregularidades. Agora já está pronta e a inauguração é protelada.

Bicho
Em Curitiba o bicho tem três extrações: primeira, segunda e repescagem.

Isonomia
O BMG, que apareceu na saga do mensalão, fez doações democráticas em Curitiba ao dar R$ 100 mil para Vanhoni e R$ 83 mil para Beto Richa.

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