Inimigos do Paraná
Ontem eu vi, perambulando nas ruas, várias pessoas com uniforme do São Paulo, opostas à maioria com camisas, blusões e agasalhos atleticanos. Seriam, ao ver de muitos, especialmente os cultores do paranismo, inimigos do Paraná. Ora, aí há mais fundamento, até porque a paixão das torcidas está na linha divisória da irracionalidade do que nessa acusação de ''inimigos do Paraná'' aos que desejam ver os portos da terra operando com regularidade e respeitando as leis e normas do setor.
Dá para lembrar de novo da resistência paroxística dos senadores Roberto Requião e Osmar Dias ao projeto das montadoras de Lerner por causa dos tão badalados protocolos. Também Lerner e sua imprensa, a de sempre, apodavam os que se alinhavam com os dois senadores como ''inimigos do Paraná''. Implicava em que qualquer ponto de vista adverso ao do governo estava, sem qualquer exame, anatematizado como expressão do mal e inaceitável. Na verdade tanto Requião como Osmar pleiteavam algo que singelamente o governo estadual poderia atender: os termos dos tais protocolos que nada tinham a ver com os abominados ''protocolos dos sábios do Sião'', um amontoado de asnices que só prospera junto a fanáticos.
Da mesma forma que Lerner queria que a sua ''verdade'' se impusesse sem ser questionada (uma tolice desmascarada pelo mestre Belmiro Valverde que nada via demais em abrir os protocolos que, afinal, não eram a ''bolsa de Pandora''), vemos no momento o mesmo tipo de obscurantismo sendo invocado para que a versão unilateral do governo estadual se sobreponha a dos produtores, operadores portuários, tradings, administrações de outros portos, órgãos técnicos da União, Antaq, ruralistas etc. Se não houver a perda de delegação, na melhor das hipóteses para o governo estadual teremos a ''audiência pública'' que evidenciaria, sem a predominância de um lado, o que de fato acontece e tudo se desmistificaria.

Mais 'inimigos'
Podem ser listados entre os ''inimigos'' do Paraná e com representação em bancadas no Senado e Câmara oito governos que são diretamente afetados pela gestão, que consideram temerária, dos nossos portos. É munição contra.

Distorções
A constatação pelo presidente internacional da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, de que o complexo automotivo da Grande Curitiba opera com 35% de sua capacidade instalada, exibe a falta de planejamento na atração das montadoras. Em primeiro lugar não se cuidou da ''nacionalização'' das peças e acessórios que aumentariam em muito o valor agregado, e fica visível que estudos de mercado foram precários, como se viu na fuga da Chrysler de Campo Largo. Houve mentira demais em torno da geração de empregos (as montadoras juntas incluindo a de máquinas agrícolas não ultrapassam sete mil vagas). Esse quadro negativo já produziu o boato de que a montadora tiraria o time de campo, o que foi negado pelo presidente da empresa que acenou com medidas para melhorar o padrão de competitividade.

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