LUIZ GERALDO MAZZA
Mais munição
O governo federal tinha um projeto geral para o Porto, que Requião assinou, em dezembro de 2003, em convênio, que implicava em remodelagem de todos os berços de atracação, construção do cais oeste de múltiplo uso (820 m de extensão e 23 m de largura), dragagem de aprofundamento do canal interno e externo da Galheta, e tudo isso com um investimento de R$ 148 milhões e cabendo ao Paraná os 20% que montariam pouco mais de R$ 29 milhões. Requião alegou que a obra estava superfaturada e denunciou o convênio.
Aí tudo parou até que anunciou que tocaria, à sua maneira, o cais oeste sem ouvir o Dnit, que cortou o embalo e que sugere ao governo paranaense: uma nova denúncia do acordo com o Paraná assumindo, com recursos próprios, as obras.
É mais munição para isolar Paranaguá e fazer andar o decreto legislativo.
Viajantes
Concessões para afastamento de servidores estaduais para viagens ou outros objetivos são constantes. Só da área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, apenas no Diário Oficial de 29 de junho, havia nada menos de onze.
Números
Governos costumam se valer de indicadores, que nem sempre têm qualquer relação com seus feitos, para promoção. Agora, segundo o IBGE, por exemplo, o Paraná figurou em segundo lugar no aumento da produção industrial (13,5%) relativamente a maio do ano passado. Fatores que determinaram o aumento: refino de petróleo e produção de álcool (crescimento de 87,95%, os quais nada devem ao governo estadual) e produção de veículos (que Requião não queria) em 30,5%. O que senadores paranaenses possam fazer agora em relação ao decreto que passa os portos à União pode repetir o quadro em que Requião e Osmar Dias buscavam bloquear iniciativas do governo Lerner por causa dos protocolos e que visavam a indústria automotiva, fator de deslanche de primeira ordem.
Caiu
Só na Rodonorte, praça de pedágio de São Luís do Purunã, houve uma queda de 48% no movimento de caminhões no primeiro trimestre do ano. O informe é da Fetranspar e contesta números oficiais anabolizados.
Fundos
Em qualquer país moderno (não é o caso do Brasil) os fundos de pensão tendem a desenvolver um papel excepcional na economia. Na sequência de escândalos dá para perceber quanto a burocracia oficial manipula essa área. Na quebra do Banco Santos havia aplicações dos fundos da Itaipu, da Sanepar e Copel e o senador Alvaro Dias quer saber tudo tim-tim por tim-tim. É que, infelizmente, esses fundos não têm independência para fazer suas opções e sofrem amarras da intermediação política das estatais a que se vinculam. É hierarquia vertical.
Folclore
O PFL, ao expulsar o deputado João Batista, deu uma lição no PT que fica paralisado com tanta denúncia. Só que nem sempre foi assim: quando do caso da senadora Roseana Sarney, então pré-candidata presidencial, com a grana toda de um financiamento irregular, largamente explorado na tevê, fingiu que não viu.





