LUIZ GERALDO MAZZA
A blindagem se desfaz
Quando as pesquisas de opinião pública indicavam perda expressiva de pontos no desempenho do governo federal permanecia inalterada a credibilidade pessoal de Lula, como se fosse dotado de uma blindagem. Com a aceleração das denúncias de corrupção demorou muito o processo de deterioração da ''persona'' favorecida pela beleza do seu itinerário personalíssimo.
Agora é difícil aceitar que o presidente ignorasse, de forma absoluta, o que se dava na intimidade do governo e no seu entorno. A forma patética e veemente com que se expôs na defesa dos defenestrados de Zé Dirceu a José Genoino, passando pelos celebrados Delúbio Soares e Sílvio Pereira, é equivalente, em termos de violência, ao estabelecimento da derrubada da senadora Heloisa Helena e dos deputados Babá e Luciana Genro, algo assemelhado aos processos de depuração do ''socialismo'' soviético.
À cada momento há um fato novo, dois deles envolvendo um filho do presidente, e para dar um tom de opereta bufa ainda tivemos o vexame da cueca dolarizada, algo que tem o vigor de uma tatuagem, a marca do gado a ferro e fogo, na tal moralidade petista e no seu decantado e, hoje, desmistificado patrimônio ético.
Uma pesquisa, como a da revista ''Veja'', mostrando que 55% dos consultados acham que o presidente tinha conhecimento do que ocorria ainda revela um dado residual da ''blindagem'', do halo que favorece Lula, pois esse indicador seria bem mais considerável se a sondagem abrangesse o caso da cueca pelo que tem de força demolidora e caricatural. O Doutor Rosinha quer investigação na empresa que fez a pesquisa como se isso fosse ilegal ou imoral pelo fato de a organização ter cooperado em campanhas do PSDB. O que tem a ver o cós com as calças é muito menos do que as notas verdes com a cueca.
Se o presidente nada soubesse isso não favoreceria moral ou politicamente, e sim o exibiria como o líder que não lidera e que nada sabe a respeito do que ocorre ao seu redor. É verdade que o regime presidencialista e Lula manteve, durante muito tempo, um primeiro-ministro, obra e arte do parlamentarismo.
Óbulo
Pelo valor das notas apreendidas com o deputado do PFL e pastores é de se chegar à conclusão de que se trata de dízimo mesmo. Nessa confissão religiosa o dízimo é real e não simbólico. Como o era o dos petistas com cargos em comissão, hoje proibido por decisão do STF.
Cueca
A história da cueca endinheirada levou muita gente a lembrar da marchinha, aliás de extremo mau gosto: ''Eu mato, eu mato// quem roubou minha cueca// pra fazer pano de prato!// Minha cueca tava lavada// foi um presente que eu ganhei da namorada''. Está aí uma saída: a grana foi um regalo da garota.
Folclore
Depois do Atletiba, a torcida rubro-negra cantava: ''um, dois, três, quatro, cinco mil// o lanterna é o mais querido do Brasil//''. Ganhar dos coxas e com o time reserva é um aperitivo para encarar de frente o São Paulo que também com os suplentes derrotou o Flamengo.
Porto
Como é do estilo de Requião valer-se do ''fundamentalismo'' nas suas guerras é de esperar-se uma explosão verbal na ''escolinha'' hoje sobre o decreto legislativo que anula o convênio entre a União e o estado-membro no caso da gestão portuária. Ao apartar-se do lado pragmático do PMDB, o mais numérico, e atacar seus integrantes, capitalizou forças (Renan Calheiros, que preside o Senado e José Sarney) para os que desejam ver a intervenção aprovada na Câmara Alta.





