A derrota programada
Há esperança ainda de uma reversão no caso do decreto legislativo que devolve os portos paranaenses à União. É preciso, no entanto, perceber que o governo estadual, na verdade, fez meticuloso planejamento para esse resultado.
Desde o início da administração atual foram frequentes os atritos entre a gestão portuária e operadores, e com o setor do agronegócio em especial, o que se agravou, ainda mais, quando adotou a atitude temerária, oposta ao entendimento nacional, de proibir transgênicos.
Basta recordar que até uma greve da comunidade portuária deixou claro o inconformismo. Os órgãos de controle como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e o Conselho da Autoridade Portuária, sem falar no Tribunal de Contas da União, mostraram esse distanciamento diante das regras nacionais e internacionais (é o único terminal que não se adequou às normas de segurança, ora acentuadas com os atos de terrorismo na Inglaterra) como se já não houvesse a explosão do navio VicuÀa reveladora da vulnerabilidade, uma vez que não funcionou o plano de contingência com brigadas emergenciais.
O governador é forte na adversidade, mesmo quando ele próprio a criou.

Mudou
O Brasil mudou muito: seria inimaginável no governo João Goulart a nomeação do Dante Pelacani, da CGT, para ministro do Trabalho. Cairia antes do 31 de Março. Na gestão Lula nomear Luis Marinho, presidente da CUT, é normalidade. Não é o governo que perdeu o senso de direção. Somos nós mesmos.

Mensalão
Adversários de Requião no PT fizeram chegar a Lula a afirmação do governador de que aceitar ministérios é como habilitar-se ao ''mensalão''.

Terremoto
Houve abalo sísmico de 3,3 graus na escala Ritcher em Minas: sugere-se que apenas o Marcos Valério tenha dado uma cabeçada por engano num armário. Igual aquela que machucou o seu acusador, Roberto Jefferson. Há, como se vê, muito mais do que esqueletos no armário.

Folclore
O professor Napoleão Teixeira, docente de Medicina Legal da Universidade Federal, coloca uma questão para os alunos: qual a parte do corpo humano que cresce seis vezes? Quando percebeu risinhos e um ar de vaidade em alguns, explicou: ''percam as esperanças, são as pálpebras''.

Mabuse
A apuração das coisas pela sociedade se mostra mais eficiente do que as artes do Grande Irmão, o Estado, no caso atual: acabou aparecendo num dos relatos um filho do presidente. Os olhos coletivos podem lembrar os mil do Doutor Mabuse.

Outdoor de WC
O jovem Ernesto Vilela, da Enox Brasil, graduado da FGV em marketing, sacou uma genial: a propaganda com as paredes de sanitários, obviamente de academias de malhação, bistrôs e restaurantes sofisticados. Há produtos até com amostra nesses locais como perfumes. Só cliente de peso na jogada. Uma passagem da política paranaense dá pra lembrar no caso como analogia: o Pedro Lauro, que foi deputado federal, mas nunca se elegeu vereador, fazia sua campanha com giz para não poluir e usava o meio-fio das calçadas. Quando lhe perguntaram o por que respondeu rápido: é o recado certo para um povo que anda cabisbaixo.

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