LUIZ GERALDO MAZZA
Desprivatizar o Estado
Falou-se muito em privatização e nesse aspecto o governo federal teria até avançado bastante, embora não ousasse tanto quanto a Argentina que mandou ao espaço a sua ''jóia da coroa'', a Yacimientos Petroliferos Fiscales, a versão hermana da nossa Petrobras.
Há, no entanto, a necessidade de fazer algo de profundo para desprivatizar o Estado, evidência pra lá de marcante na gestão Lula, o que simplesmente não constitui novidade até porque é notório o poder de influência das empresas privadas que gravitam em torno das estatais. Na campanha eleitoral ficou claro com a denúncia do deputado federal Gustavo Fruet no uso de uma terceirizada da Petrobras para transportar eleitores pró-aliança com o PT na convenção do PMDB de Curitiba. É um pecado venial, mas que faz emergir parcerias discutíveis e com fins estranhos aos seus respectivos contratos. Agora pinta no pedaço a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, na devassa na Apeop.
Agências de propaganda, como no caso de Marcos Valério, podem se constituir num apêndice da estrutura pública. Aqui mesmo no Paraná o presidente do sindicato de jornais e revistas, Abdo Aref Kudri, estranhou a denúncia de Requião de que Lerner gastara na primeira gestão R$ 400 milhões, já que fora ridícula a participação da mídia impressa. Perfeitamente possível que à guisa de prestação de serviços (e não foram poucas as discussões sobre notas fiscais nos Jogos Mundiais da Natureza que apelidei, durante todo o tempo, de Jogos da Safadeza) agências tenham se transformado em ''ralo'' da circulação.
Desprivatizar o Estado, aperfeiçoar sistemas de fiscalização que cheguem nessas sutilezas, capilarizar a atuação dos tribunais de contas, é o recado.
Máxima
''É mais fácil derrubar o governo do que fazer a arquibancada do Atlético''. A sentença é do advogado Antonio Amaral, o Amaral Comunista. Aí, rindo, ele fulmina ''e a arquibancada do Atlético já está pronta''. Pelo jeito para que o governo caia só falta um assoprão.
Fantasma aposentado
Do dossiê montado sobre fantasmas na Assembléia Legislativas há muitos entre procuradores que jamais trabalharam, hoje aposentados. Fantasma com bolor não difere do procurador com o seu crachá. Direitos adquiridos. Embora nosso governador diga que inexiste direito adquirido contra o interesse público.
Muitos procuradores (R$ 18 mil por mês) jamais tiraram curso de Direito.
Folclore
Delúbio Soares, aconselhado a deixar o cargo no PT, fez um discurso em Goiânia dizendo que as denúncias partem da ''direita'' e da ''elite'' que estariam inconformadas com as mudanças e que são contra o fim da fome. Dá para submeter ao teste do talento: ele e o Roberto Jefferson, que nada tem de santo, e percebe-se que nessa o governo leva a pior. Como a suspeita de que desse tipo de pecado ninguém está livre, o talento e a persuasão decidem.
A verdade na boca do inimigo é sempre satânica.
Justiça
Estudo do IPEA: trabalhador chega a desembolsar o dobro dos patrões em tributos diretos. E ainda há quem fale da existência de luta de classes.
Nazismo
O presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, condena o abuso das operações da Polícia Federal por seu transbordamento e frequência e também a concessão sem maior exame da interceptação telefônica. E chama isso de nazismo.





