LUIZ GERALDO MAZZA
Atitudes ou obras?
O que é mais eficiente: um governo de obras ou de atitudes? Quando o caixa está restrito nos orçamentos engessados, um factóide político vale mais do que uma hidrelétrica ou estrada, até porque são inviáveis.
Tanto o governo nacional como o estadual fizeram opção pela atitude que pode estar em coisas vagas como a promessa de extinguir o pedágio ou o Fome Zero, inegável idéia-força, mas incapaz de instrumentar-se na realidade. Também entra nessa o prefeito de Curitiba, Beto Richa, com a história das tarifas dos transportes coletivos que baixou, em patamares ridículos, e que ganha super-potencialização na mídia como Requião faz com os reparos e tapa-buracos nas estradas. Aí como a matéria de prova depende de perícias complicadas em cima das planilhas, estudos econométricos e atuariais, o cavalo de batalha fica sustentado pela morosidade judicial com os empresários dos ônibus, outra vez, demonizados como tem ocorrido ao longo da história.
Na opção, essa mais profunda como tema de filosofia política, entre governo das leis e o dos homens também essa vertente prevalece em função do estágio lítico em que se encontra o nosso comportamento no assunto. Revelações como as decorrentes das denúncias do deputado Roberto Jefferson, embora até aqui sem provas claras do que alega, reafirmam o nosso primitivismo em termos de democracia e deixam exposto o corpo institucional minado de patologias que identificam a compulsão pela fisiologia.
Paranaenses
O melhor parlamentar do Paraná, em termos doutrinários e científicos, é Gustavo Fruet. Além da sua densidade acadêmica, tantas vezes demonstrada nos seus numerosos ensaios, é surpreendente, como se viu na inquirição do deputado Roberto Jefferson, quando fez colocações apuradas sobre a conjuntura nacional, a riqueza de conhecimentos e a capacidade de ele próprio, com originalidade e inspiração, firmar juízos de valor em torno de uma apreensão mais rica do que seja a democracia. O senador Alvaro Dias também se saiu razoavelmente bem com a blague feita sobre a reforma ministerial que Lula não consegue desencadear e que Roberto Jefferson faz andar, ainda que de forma oblíqua, derrubando o super ministro José Dirceu e dirigentes de estatais.
Fantasmas
Mais de uma centena de fantasmas do Legislativo constam dos dossiês feitos sobre o assunto. Só que a maioria já se aposentou e por isso tem seus direitos adquiridos. Denúncia saiu do MP federal para o estadual. Difícil desencravar.
Equilíbrio
Há uma comissão na Câmara Federal tratando de buscar um equilíbrio entre o poder de órgãos como a Serasa, os serviços de proteção ao crédito e os seus transbordamentos que agridem outros diplomas legais como o da defesa dos consumidores. Preside a comissão o deputado Max Rosenman que já tentou em outra legislatura mexer num dos aspectos da questão, o dos cartórios de protestos de títulos, que teriam, a seu ver, perdido sua função.
Folclore
A história do acidente doméstico sofrido pelo deputado Roberto Jefferson não convenceu muita gente, mas ele tratou do assunto na CPI dos Correios. Conta que estava procurando um disco de Lupiscínio Rodrigues quando o armário caiu sobre o seu corpo, ferindo-o. Perguntaram qual era a música e ele respondeu, provocando gargalhadas: ''Nervos de aço''. Alexandre Garcia sugeriu que caberia uma outra ''Esses moços'' e cantarolou ''Esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...''





