O espetáculo
Mal saímos da operação ''Tentáculos'', feita com apoio logístico da Polícia Federal, e que tenta ganhar capilaridade e chegar em outras áreas do crime organizado (narcotráfico, roubo de carros e cargas e grupos de extermínio), é deflagrada outra sob o título ''Grande empreitada'' (pelo nome lembra a ''Grande Festa'' contra os bicheiros da terra quando se detectou a presença dos chefes da contravenção carioca que chegaram a montar cassino em Foz do Iguaçu, isso na primeira gestão requiônica) a pretexto de combater astuciosa cartelização em obras rodoviárias.
Dias passados tivemos a espetaculosa prisão de diretores da Schincariol pela Polícia Federal com aspectos claros de execração dos acusados, hoje libertados porque a Justiça não pode ficar condicionada ao teatro e deve submeter-se às regras processuais. Isso também ocorreu no caso da ''gangue'' de advogados, envolvendo até o ex-presidente da seccional de Curitiba da OAB, que operariam com precatórios de estatais. Gente algemada, escarcéu e, de repente, todos soltos.
Dessa feita a contundência foi maior, já com vários empreiteiros presos e até diretores da Apeop, Associação Paranaense de Empreiteiros de Obras Públicas, alvos todos de interceptação telefônica. No ''rolo'' a BR Distribuidora da Petrobras que cederia a emulsão asfáltica.
A espuma, às vezes, é maior do que a substância das apurações como se viu desde a pantomima da CPI do Narcotráfico que criou tanta expectativa e acabou gerando frustração. Tanto que alguns dos apontados na operação ''Tentáculos'' eram justamente indiciados ou suspeitos naquela comissão parlamentar que nos deu a impressão de que pegaria o Hildebrando Pascoal daqui e a bandidagem parecida com a do Espírito Santo e de outros pontos do país. Aprofundada a investigação chegaremos no crime organizado de Almirante Tamandaré, Colombo, Rio Branco do Sul e outras paragens. Desde que a espuma não predomine. E isso só favorece o político de plantão que nela surfa. Até dissipar-se.

Que modelo?
Não dá para suportar a insistência de alguns políticos e empresários, entre eles Requião e o Rocha Loures da Fiep, em falar em mudar o modelo econômico sem detalhar a alternativa. Se for do padrão Maria Conceição Tavares e Carlos Lessa esqueçam, please. Da portuguesa (que aliás passou sua juventude em Londrina) ninguém esquece do emocionalismo ante o Plano Cruzado, fracasso retumbante que ela precipitadamente elogiou aos prantos porque era obra dos seus alunos.

Condição ''sine qua''
Requião está colocando como condição ''sine qua non'' para o PMDB (como se o partido não fosse o fisiológico de sempre) integrar o governo Lula a mudança do modelo neoliberal, o que não passa de um rótulo. Não se pode chamar de neoliberal um país que tem Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobras, BNDES, Eletrobras, Infraero, Correios, Embraer, Embrapa e um governo que se rege por Medidas Provisórias, substituindo o parlamento e esnobando Montesquieu.

Espuma
Quando o Judiciário se manifestar sobre os coletivos de Curitiba essa onda triunfalista se dissipa. Agora o Procon quer devolver 10 centavos a quem se valeu de cartões. Todos têm direito ao espetáculo. Dá-lhe, Algaci.

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