História repetida
Hegel doutrinava sobre a exaustão do ciclo histórico e sua repetição e foi corrigido por Marx (''O dezoito Brumário de Luis Bonaparte'') que adorava saques frasísticos (a pobreza da filosofia e a filosofia da pobreza) ao dizer que a história se dá como tragédia e se repete como farsa. Como trocadilho prefiro os do Emílio de Menezes, que era nosso.
Repete-se agora, provavelmente como farsa, porque a tragédia passa ao largo, esse debate sobre a devassa na planilha do transporte coletivo de Curitiba e com o adicional da ameaça de abrir licitação, o que já se anunciou também para Londrina. Beto Richa resistiu a um reajuste e o transformou em ponto de honra da campanha eleitoral: baixar a tarifa como Requião prometeu com o pedágio.
Alega que as empresas não colaboraram nos trabalhos que levaram cerca de 15 meses para botar uma lupa nos números das concessionárias e decidiu baixar de R$ 1,90 para R$ 1,80 como poderia reajustar para R$ 1,99, o teto de custo das mercadorias populares. Resultado: as empresas vão à Justiça contra o decreto e isso dá a penosa impressão de mais um ato de prestidigitação.

Parábola
O deputado federal é perguntado em quantas CPIs opera e diz que preside uma, é vice de outra, relator de uma terceira e denunciado em pelo menos cinco.
É o retrato sem retoques da classe política, cabível em gente nossa.

Folclore
José Carlos Mendes estava presente à reunião do Diretório Nacional do PDT que se seguiu à derrota de Brizola. Na ''brainstorming'', a rigor, uma sessão de lavar a roupa suja interna, com broncas de todos os cantos do País, Mendes queria que Lerner fosse punido por ter se recusado a apoiar o presidente do partido. Brizola tentava mediar e vieram as vaias. Aí o caudilho, com a conhecida persuasão, berrou: ''A vaia é arma dos covardes e dos sem-rosto, dos encapuzados''. Dilma Rousseff, do diretório gaúcho, hoje ministra de novo, carteira de identidade à mão, e mostrando-a bem perto de Leonel, falou em voz alta: ''Eu tenho identidade e o estou vaiando!''

Mensalão
A idéia sugerida no depoimento dos deputados estaduais Praczyck e Renato Gaúcho do ''testemunhal'' radiofônico ou televisivo é uma velha prática da relação entre governo e mídia. É praxe, viciosa é claro, mas na linha daquilo que se considera ''subvenção''. Em 64, junto a companheiros do jornal ''Última Hora'' respondemos processo por subversão na Justiça Militar. A prática maior sempre foi a da subvenção que para os mais austeros é imoral e subversiva.

Cooptação
Um dos riscos a sindicatos e associações é serem cooptados pelos governos. O Sindicato das Classes Policiais, Sinclapol, teve o seu presidente alçado a um posto da hierarquia. A categoria está sem aumento há quase 13 anos e a entidade oferece empréstimos à base de 2,45% ao mês como se isso compensasse.

Ferro pode?
O porto de Paranaguá não pode receber transgênicos, mas passa agora a operar com minério de ferro e projeta o complexo aduaneiro, este com agressão direta aos manguezais, e ninguém vê o lado ecológico das coisas. Ecologia é boa só quando favorece uma causa da moda.

Herói
Para substituir o coronel Justino no Depem foi designado o também coronel da reserva, Honório Bortolini, um dos destaques da solução do sequestro em Marechal Cândido Rondon, gestão passada.

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