LUIZ GERALDO MAZZA
O jurídico e o político
Sanções que atingiram gestores públicos ou parlamentares se deram mais pela via política do que pela jurídica. Tanto o caso de Collor de Mello como o dos ''anões do orçamento'' culminaram com a renúncia dos visados e na questão dos deputados isso era indispensável para evitar a pena acessória da cassação.
Isso se reproduziu nos lances de Londrina e Maringá com a cassação de Antonio Belinati e o afastamento de Jairo Gianoto. Um ato essencialmente político e com raiz semelhante ao de Collor face a mobilização da sociedade inconformada com os desmandos. Vimos em reportagem recente da ''Folha'' que a despeito dos ingentes trabalhos do Ministério Público, no caso londrinense corre-se o risco da impunidade e com ela o retorno, eufórico, do político populista à cena eleitoral e com amplas possibilidades de vitória.
Ainda bem que aquilo que a Justiça não obteve o povo o conseguiu derrotando-o na disputa do segundo turno para a prefeitura. Justiça poética.
Paraíso
No governo Lula o capital foi tão bem tratado que a direita é a maior das interessadas em sua reeleição. Em lugar da classe operária foi ao paraíso, em primeiro lugar, a turma dos bancos. Ironia do Eduardo Schneider.
''Bifê''
A mania da moda, bufês populares, se assenta nesse fundamento: o de que a comida não se impõe pela qualidade, mas por ser bastante.
Caricatura
''Mens sana in corpore sano''. Mente sã em corpo são. Tradução de agora é para pior ''mensalão em corpo insano''.
Massacre
Relatório indica que falta de UTI no Hospital Universitário de Londrina pode ter determinado a morte de 25 pacientes. Se juntarmos esses casos aos havidos em Ponta Grossa teremos a medida das nossas fragilidades e a razão pela qual age bem o Ministério Público em estar na Justiça cobrando responsabilidades.
Sem eixo
O Eixo Metropolitano, que como obra de reurbanização teria tudo para mostrar finalmente o governo Beto Richa em ação, sofre nova paralisia. A Prefeitura tem a obrigação de recorrer, bem como as empresas anteriormente vitoriosas na licitação, mas se isso acontecer a obra fica para as calendas. Ocorre que o BID veta a Construcap que ganhou participação por ter ofertado o preço mais baixo. Já que tem força para vetar uma licitante, o Banco poderia tirar o time de campo e inviabilizar tudo. Coisas da ordem mundial que não está nem aí para decisões judiciais da periferia.
Folclore
No encontro de prefeitos, quando ouviam o governador paulista Geraldo Alckmin, muitos lembraram que o tucano poderia ser bem acolhido com a tese de que é bom gerente. Aí, porém, os mais antigos argumentaram que Adhemar de Barros também tentou emplacar com esse perfil.
Matemática
Lula afirmou que seus antecessores não combateram nem 20% a corrupção do que a sua gestão está fazendo. Como tiraram o dízimo, cai para 10%.





