O Paraná é que esvazia

A circunstância de Londrina correr o risco de ser suplantada como terceira maior cidade do Sul do país remete a uma outra avaliação: logisticamente o Paraná perde espaços, cada vez maiores, para Santa Catarina, embora as suas dimensões geopolíticas superiores. Não bastasse o fato de levarmos uma tunda em indicadores sociais com os estados meridionais, o que nem sempre passa a ser compensado pelos dados econômicos, é preciso considerar que Joinville detém a maior renda e a maior população dentre os catarinenses.
É preciso, ainda, levar em conta que o poder de polarização de Curitiba é muito forte sobre o norte catarinense em geral e seu maior município, um dos maiores centros industriais do Brasil, o que poderia significar um limite aquela expansão. Assim, quando se faz a constatação de que Londrina tende a perder a hegemonia demográfica, já detectada pelo IBGE, relativamente a Joinville, deve-se concluir que o segundo maior pólo urbano do Paraná paga o ônus do esvaziamento proporcional da economia regional.
Londrina, irrigada pela economia cafeeira, sofreu perdas territoriais sérias em decorrência da municipalização intensiva e processada em área dinâmica, a última delas com Tamarana, cujo plebiscito de emancipação mexera com o orgulho londrinense. Uma das formas de sentir o Paraná integrado é perceber que o fato atinge mais o conjunto da sua economia do que a perda isolada, microrregional.
Nem sempre fenômenos como o que aparentemente beneficia Joinville são positivos, já que essa polarização, como a que se processa em Curitiba na Região Metropolitana, decorre de um processo inesgotável de migração. Vale, no entanto, alguma reflexão estratégica tal qual Tadeu Felismino propunha em passado recente e com sobras de razão relativamente aos sinais de vazio no segundo maior pólo urbano do Paraná.

Diferença
Diferença fundamental entre os governos de FHC e de Lula: um era pomposo e principesco e por isso fazia um governo de salão; o outro é o do mensalão.

Esquerda
No dicionário de equívocos da ciência política, ocupa destaque a questão do que seria hoje, depois da Queda do Muro e do socialismo realmente existente, a direita e a esquerda. Norberto Bobbio se ocupou do tema e admitiu os pólos e aceitou parcialmente a colocação do colega Mateucci (integrante do Dicionário de Ciência Política) que indicou a direita como expressão enfim da liberdade e a esquerda da igualdade. Nosso país é primitivo nesse aspecto pelo predomínio, aqui e na América Latina, da deturpação populista. Vide esse herói de opereta bufa da Venezuela.
De Sarney para cá tivemos, à exceção de Collor, vários governos do que se tem como esquerda no Brasil. O próprio era da ''bossa nova'' da UND na qual, entre outros, se alinhavam Seixas Dória e até o Gabriel Passos, esquerdistas nada moderados. Itamar Franco é herdeiro da mesma tradição, mais populista, e assim também Fernando Henrique e agora Lula. No último pleito presidencial tivemos, como nos anteriores, os de FHC, uma disputa entre formas nacionais do que se convenciona chamar de esquerda. José Serra, hoje prefeito de São Paulo, figura nesse alinhamento. O que prova que os quadros são mais ricos na teoria. Não temos um operador político do nível de um Caio Prado Júnior, de um Leôncio Basbaum. O próprio Collor tinha na sua equipe um esquerdista de pensamento, o sociólogo Hélio Jaguaribe. Uma coisa jamais contaminara a esquerda: a corrupção.

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