LUIZ GERALDO MAZZA
No palanque
Uma das primeiras providências que a reforma política deveria adotar seria acabar com a reeleição. Na verdade, ela responde pela circunstância, desde sua adoção, de o administrador prejudicar o primeiro mandato por já estar pensando no segundo, o que o obriga a permanecer no palanque o tempo todo. Como vimos com FHC e Lerner e assistimos novamente com Lula e Requião.
Como não existe um projeto nacional, que afinal teria sua expressão regional, e já não nos valemos do planejamento como forma de organizar o Estado para intervenções na realidade não apenas indicativas, tal qual tivemos com Ney Braga, o cenário fica pior ainda. Baixa-se, de forma considerável, o nível da gestão pública ao percebermos que os governos se deleitam em jogadas de puro efeito teatral para dissimular atividade voltados à prioridade eleitoral quando não da corrupção, como se vê agora com os mensalões, exigência natural dos acordos partidários e da partilha do botim.
O pior é que a esperança de que as coisas melhorem no andamento do segundo mandato se frustra como se deu aqui com Lerner e no país com FHC, posto que no caso paulista de Geraldo Alckmin haja uma resposta positiva. Interditada a reeleição e aprovados o voto distrital misto e a fidelidade partidária haveria uma depuração do processo.
Lula
Desdobramento da passagem de Lula pelo Afonso Pena em função de não ter podido aterrissar em Chapecó: os deputados Ângelo Vanhoni e Natálio Stica, da armada de Requião desde sempre, seus ex-líderes na Assembléia, foram alvo de muita ciumeira por parte de companheiros por terem conseguido um contato com o presidente. Eles disseram que Lula os teria estimulado a continuar brigando pela manutenção da aliança com Requião até porque o partido não teria um nome para disputar a eleição. Acho que se Vanhoni o fizesse em lugar do Padre Roque, a safra eleitoral seria maior. Ocorre que Vanhoni tinha eletrizado a suposta esquerda com sua ''quase'' vitória no segundo turno diante de Taniguchi.
Ecologismo cíclico
Temos por aqui uma versão de ambientalismo de conivência quando se trata de invasão de terras rurais ou urbanas em áreas florestadas ou reflorestadas (como se dá na Araupel, onde as formigas carregadeiras do MST devastaram nada menos de 17 mil hectares de mata contínua) e ainda em mananciais. Agora teremos mais uma prova: os ambientalistas chapa-branca são favoráveis à destruição dos manguezais em Paranaguá para impor o complexo aduaneiro. A subordinação dos ''ideais'' ao momento é uma constante histórica.
Nova opção
Requião prometeu, como bandeira maior da campanha, que acabaria o pedágio ou o faria abaixar. Como não conseguiu nem uma coisa nem outra está agora querendo passar a responsabilidade contratual à União. Justamente na hora em que corre o risco de ver os portos desestadualizados.
Martírio
Requião acertou em fazer a promoção pós-mortem do coronel Plocharski. É uma referência heróica. No seu primeiro governo promoveu da mesma forma os três PMs linchados pelos sem-terra em Campo Bonito. Ocorre que na Justiça ficou provado que os milicianos não estavam a serviço, mas fazendo um ''bico'' para um empresário empenhado na recuperação de máquina agrícola.





