LUIZ GERALDO MAZZA
Panacéia, um cacoete
É comum no Brasil o culto ao salvacionismo, ao homem providencial (já os tivemos tantos como Getúlio Vargas, JK, Jânio Quadros e agora, com mais intensidade pelas características de pobre, nordestino e líder obreiro, com Lula) e em consequência às soluções mágicas. A revolução de 30 foi um desses momentos de panacéia nacional, depois tivemos a derrubada de Getúlio e da sua ditadura e o processo constituinte de 1946, capaz de remir todas as chagas brasileiras; o retorno de Vargas como estadista abriria outro ciclo, afinal interrompido pelo suicídio que asseguraria a vitória da frente popular, se é que merece a credenciação, com PSD e PTB e JK-Jango.
Em cada episódio desses a cultura da certeza, da exatidão, uma espécie de tatuagem como veríamos na garantia da posse de JK e na de Jango, depois da renúncia de Jânio e daí em frente com o golpe de 64 e a prolongada ditadura para a qual se contrapôs outra panacéia, igualmente fracassada, das diretas, seguindo-se os programas econômicos do Cruzado e do Real que fizeram a catarse dos brasileiros e especialmente a usina de ilusões da Constituinte de 1988.
Agora, depois da apoteose da eleição de Lula e a continuidade do modelo econômico acertado com o FMI, a saída seria a ruptura com a acomodação, pois isso tudo condicionaria, como quer o governador Requião, incluindo desvios de ordem moral e, quem sabe, a titilação nas hemorróidas, o desassossego dos comichões dos oxiúrus e dos áscaris lumbricóides que quanto mais neoliberais e de direita mais perniciosos e relutantes. Muito mais do que a corrupção.
Cautela
No governo Pimentel um batalhão da PM cercou a delegacia de Furtos de Automóveis e prendeu, algemando, o delegado titular, tudo detalhado pelas câmeras de TV. Quem comandou a operação foi o diretor da Polícia Civil, o promotor Luis Alberto Machado, várias vezes diretor da Faculdade de Direito da Federal e um dos nossos maiores criminalistas. Apesar de todos os cuidados o alvo da operação, o delegado Dorval Simões, seria absolvido na sequência e o Estado obrigado a pagar atrasados e a indenizá-lo.
Quando a CPI do Narcotráfico passou por aqui houve uma expectativa de que muitos seriam apanhados e o que se viu foi a resistência do crime organizado que ousou lançar uma bomba contra a Promotoria de Investigações Criminais. Teme-se que essa Operação Tentáculo, apesar da eficiência demonstrada, esbarre em dificuldades processuais e frustre novamente os que esperam pôr fim à impunidade que há muito protege mais de uma ''societas celeris'' da praça.
Logo depois da prisão do traficante Naldinho, em Santos, o delegado que tocou a operação foi assassinado da forma parecida com a que sacrificou o major Prochaski, que tentava remover a nódoa do 13º Batalhão da PM.
Sinais
A greve na Urbs, a degradação do sistema de transporte coletivo (ontem andei num deles, linha Praça Osório/Cabral, que nem luz tinha e o motorista abria a porta da frente na força para a entrada de usuários e o cobrador ficava nos fundos para administrar a saída) e a promessa de baixar tarifas de Beto Richa são peças do mesmo tabuleiro. De qualquer jeito estamos sendo enganados.
Folclore
Aí o jogador brasileiro reclamou: a defesa grega era o Labirinto de Creta. Parreira: ''Tivemos que fazer os dez trabalhos de Hércules''.





