LUIZ GERALDO MAZZA
Tsunâmi de denúncias
Até a missionária Dorothy Stang, mártir da luta contra a devastação nas matas amazônicas, se queixou de que deputados do partido que ajudara a eleger, o PT, eram vorazes devastadores. Isso dá sentido também à surpresa de muitos diante da fúria com que o MST detona as nossas reservas de araucária, como se viu na Araupel. Na última ''Veja'' há a denúncia da existência, no Pará, de um selo que dava salvo-conduto às derrubadas com a expressão ''oPTante'', heresia em cima da criação do publicitário Carlito Maia. Pena que a especificidade desse caso seja prejudicado pelos novos capítulos da novela Roberto Jefferson com os mensalões. Que há passividade bovina tanto num caso como no outro nem se pode duvidar, embora o risco das generalizações e do espetáculo, com CPI ou não.
MP e saúde
O Ministério Público entrou com representações formais relativas à omissão do Estado na aplicação rigorosa dos percentuais orçamentários na saúde nos anos de 2000 a 2002 na 1 Vara da Fazenda Pública. O exercício de 2003 está com os procedimentos quase concluídos e o de 2004 ainda falta uma peça relevante: a conclusão da auditoria do Ministério da Saúde.
Como se vê há vigilância, mas que padece da lentidão dos trâmites. Deputados que chiaram têm razão, todavia subestimaram a liturgia formal. Como o governo diz ter gasto R$ 1 bi na saúde e o drama nas UTIs continua, é indispensável, ao menos, denunciar a propaganda enganosa.
Pulo do gato
O presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, repetiu o que todos os contestadores do modelo, inclusive Requião, dizem a respeito dos juros altos colocados como estratégia para deter a inflação. Só que não apresentam o ''modus faciendi'' alternativo, detalhando-o, subestimando as amarras do país ao FMI e a sua terapia invariavelmente recessiva. Diagnóstico não é cura. Precisamos saber do pulo do gato, do caminho das pedras.
Maria da Conceição Tavares, que se emocionou com o Plano Cruzado e chorou, ou o Carlos Lessa que é nacionalista como Le Pen, poderiam fazê-lo. Uma chorou antes do tempo, pois o que glorificara foi um fracasso, e outro saiu do BNDES enquanto era tempo. Pelo menos para Lula e sua equipe.
Arquétipo desmascarado
O sucesso da parada gay em Curitiba, com dezenas de milhares de presentes, derruba pelo menos dois arquétipos dos que tentam definir a cidade: o de que ela é impermeável a carnaval e o da introversão curitiboca. Em Sampa houve quase dois milhões de interessados com 600 mil de fora. É fluxo mais forte do que o do carnaval do Rio.
Interação
Curitiba como sede internacional de congresso ecológico novamente. Em 1992 já houve isso como preliminar da Eco havida no Rio. Naquele tempo o PMDB tentou desfigurar a qualificação de Curitiba. Agora prefeitura e governo se acertam e seria interessante que pautassem uma agenda comum na área para o sucesso da empreitada e que afirmassem, da parte dos dois, respeito ao meio ambiente.
Folclore
O mensalão é de deputados, das rádios que lhes pertencem ou daquelas que lhes vendem horário? Está tudo errádio, diria o seo Creysso (Casseta & Planeta).
Ribeira
Hélcio Berti, ex-prefeito e agora ''primeiro-damo'' de Bocaiúva, fez de tudo pela ligação asfáltica entre a cidade e Adrianópolis. Inventou até um ovniporto e anunciou uma bomba (era de chimarrão) na estrada. Tem razão em fazer festa. Promover-se em Curitiba como fez Lerner é fácil, duro é encarar Bocaiúva e figurar no mapa. Afinal factóides todos fazem. Rústicos são mais aceitáveis.





