LUIZ GERALDO MAZZA
Obscurantismo por método
A pior das chantagens intelectuais é a de colocar qualquer questão sob o foco do fundamentalismo. E isso ocorre a todos os momentos como um dos resíduos do totalitarismo, não expurgado dos nossos hábitos. É o caso das unidades de conservação, centradas num propósito sensato, mas valendo-se de uma espécie de fundamentalismo que coloca toda e qualquer restrição na linha do vandalismo, isso é, dos que não querem a proteção da araucária.
Se houvesse interesse efetivo em defender a árvore não se pensaria em dar ao MST uma das derradeiras reservas contínuas da espécie na Fazenda Araupel que será devassada como se percebeu em ações anteriores desse grupo que se coloca acima da lei e de qualquer regulação e diante do qual Ibama e Iap se omitem como se estivessem diante de algo religioso. Qualquer colocação do gênero é maniqueísta impedindo o raciocínio.
Entre o infravermelho do espectro e o ultravioleta há tonalidades nítidas no espaço transitório. A realidade mostra, no dia a dia, que essa deturpação ideológica pretende impor a sua ''verdade''. O ''Fome Zero'' mostrou que um objetivo, apoiado por todos (afinal quem assume ficar a favor da fome?), nem sempre é suficiente para traduzir uma aspiração. O fracasso concreto de uma boa idéia não anula o seu enunciado, mas obriga a revisão.
Moradores
Sábado passado, na Boca Maldita, houve enfrentamento de entidades que afinal se proclamam defensoras dos moradores: as federações da Região Metropolitana e a de Curitiba. A de Curitiba, tocada por Edson Feltrin, usava o alto-falante e a maior, do vereador Valdenir Dias, se valia de uma ambulância e de um enorme ônibus, sirene operando a todo vapor, para exibir poder. Quando os políticos cooptam demais essas entidades, acabam seus reféns.
Porto
Dnit, segundo informações correntes, teria embargado, em sua procuradoria, o cais oeste anunciado semana passada na ''escolinha'' junto com a CR Almeida.
Paranasan
Outra notícia ruim: o Paraná corre risco de perder recursos do Paranasan. É uma bomba em projetos de saneamento básico.
Mãos atadas
Em plena reunião do ''Mãos Limpas'' se soube da fuga de 65 presos do 7º Distrito. Os fujões fizeram um túnel e passaram pelo Colégio Segismundo Falarz que tinha 2.200 alunos e hoje só tem 1.200 porque desistiram por falta de segurança. Não há como evitar isso: há cerca de 2.300 presos em 26 cidades. No Alto Maracanã 78, em Piraquara 61, em São José dos Pinhais 111. É o caos.
Boa, Requião
Procedentes duas medidas de Requião: a isenção do trigo e o chio contra a falta de peças dos carros que servem o governo.
Areeiros
Depois das suspensão, areeiros da Grã Curitiba querem assinar um modelo de conduta com o Ibama e o Iap. Podem estar certos em pedir moderação, mas é enorme o número de clandestinos e ainda o de agressores do ambiente com aqueles que com suas ações provocam a queda das barrancas do rio Iguaçu, em alguns casos ameaçando a integridade de estradas.
Folclore
Pelo que se lê nos jornais o Delúbio do PT, se as coisas se confirmarem, pode reproduzir o itinerário da CPI de PC Farias. Luis XIV dizia: depois de mim o dilúvio. O Delúbio, pelo menos para a oposição, é um dilúvio.
Sabedoria
Cada vez mais verdadeiro: ''Façam o que digo, mas não façam o que eu faço''.





