Diversidade útil
A diversidade apurada, anteontem, na reunião secretarial entre Requião e o seu vice, Orlando Pessuti, em torno de problemas polêmicos, mas que as hordas fundamentalistas pretendem transformar em dogma, é um dos melhores momentos até agora vividos nesse período governamental. Um certo nível de conflito é inevitável até entre setores governamentais, por exemplo como o que se percebe entre áreas como a econômica e a social, visível no governo Lula nos choques entre ministérios como o do Meio Ambiente e os da Fazenda, da Indústria e Comércio, da Agricultura. Essa dinâmica fortalece mais do que dissipa.
Se os integrantes do governo forem passivos demais é ruim para todos, rompe-se o equilíbrio interno e aproximamo-nos mais da monarquia do que de uma visão de República que aliás, em profundidade, ainda não temos. Ao ponderar sobre a forma como se deu a montagem dos parques de araucária e como se proceder na questão da ''reserva legal'' (essa dos 20% de floresta é antiga no Brasil e data das fases mais violentas do extrativismo e da agricultura de mineração) Pessuti colocou um mínimo de moderação nas duas questões e cumpriu o seu dever como conhecedor das lides agrícolas e pecuárias. Defendeu, antes de tudo, os interesses da sua pasta.

Apolo e Dionísio
Nietzsche usava a dicotomia ''apolíneo'' e ''dionisíaco'' para caracterizar comportamentos e valores. Um é o reto raciocínio, a sobriedade, equilíbrio e disciplina. O outro sensualidade, disponibilidade, alegria. Quando um assunto se torna radicalizado corre-se o risco de ver nos ambientalistas extremados algo próximo de Dionísio, a dança, a curtição. Ficariam, também, em igual posicionamento os fazendeiros que se negassem a enxergar a necessidade de uma vigorosa recomposição vegetal. Mas com democracia e não como se fez.

Caos
Conversa entre internautas: o trânsito de Curitiba está pior do que a diagramação do ''site'' de fulano. Labirintos sobrepostos.

Locaute
Rodrigo Corleto Hoelz, presidente do sindicato das empresas de ônibus, nega que exista a possibilidade de um locaute para forçar alta das tarifas que Beto Richa prometeu fazer baixar. Uma lembrança: quando se valiam da ''laranjice'' do sindicato dos trabalhadores as coisas funcionavam bem melhor do que em casos de locaute. Duas tentativas, ambas nos anos 50, século passado, foram frustradas. Na segunda, gestão Iberê de Mattos, general e populista, o Edgar Távora, procurador do município, detonou a manobra e arrestou a frota que estava enrustida em São José dos Pinhais. Diálogo, gente. Empurrar com a barriga como o prefeito está fazendo também é irresponsabilidade.

''Laranja''
Quanto mais mimético, despistado, o ''laranja'' é mais eficiente. E o que tem de laranjal por aí é de inspirar um sucessor do Ataúlfo Alves. Há maduras demais na beira da estrada bichadas e com marimbondo no pé.

Graciliano
Um dos pontos altos do discurso acadêmico de Belmiro Valverde foi a referência-reverência ao relatório de Graciliano Ramos quando prefeito da cidadezinha de Palmeira dos Índios, Alagoas. Esse texto é arte moderna e uma crítica ao administrativês. Prefeitos deveriam conhecê-lo ainda mais agora com os apertos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Manteriam o bom humor.

Folclore
Uma das maiores cenas do ecologismo da terra foi a que determinou o atraso das obras na barragem do Iraí sob a alegação de que o macuquinho do brejo estava sob risco de extinção. Ele está em todas as várzeas e ao longo da bacia do Iguaçu. É um caso sofisticado de pio do macuco.

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