Chega de paparicar
Há um traço intolerável em certos setores de nossa elite: a moda compulsiva como se comportam diante de ministros paranaenses em homenagens infindáveis. Por isso, pegou bem a declaração do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pedindo contenção naquele cortejamento que por vezes se torna pegajoso.
Ainda que se argumente que fazíamos tempo que não emplacávamos alguma reação é mais pedagógica e verdadeira do que o festival de badalações. Dando olhada na lista dos ministros que tivemos perceberemos que Paulo Bernardo está bem acima da média (olha a homenagem na verdade um esforço para mostrar o escasso valor de muitos que ostentaram tal condição) e se coloca, mesmo com histórico de esquerdista moderado, na condição de um dos mais antenados da gestão Lula.
Munhoz da Rocha detonou a reforma cambial do ministro paulista Withaker e Rischbieter deixou um documento candente na saída do ministério da Fazenda. São poucos os casos de gestos de impacto. Mesmo lideranças fortes como a de Ney Braga não conseguiram evitar que em ministérios tivessem que comer pela mão dos quadros estamentais.
O convite para brecar homenagens deixa meio sem jeito os aduladores, mas lembra a bronca da ginasta Dayane dos Santos contra o ''Brasileirinho''. Há um momento em que tudo satura.
Pinheiro
Já houve, no Paraná, maior culto ao pinheiro do que o revelado agora com essa medida de criar parques das araucárias que deveriam sediar-se em áreas nativas previamente classificadas. Tivemos as estilizações do Lange de Morretes ainda hoje nas calçadas de petit pavê e a estória do artista que ficou no sepulcro em forma de pinhão e em pé voltado para o Pico do Marumbi.
Tarifas
Soluções políticas para problemas técnicos normalmente dão distorções. Beto Richa teve quase um ano para mostrar que a tarifa de ônibus poderia baixar e até agora empurrou o problema com a barriga. Agora o sindicato de engenheiros quer entrar na questão, altamente politizada no velho cacoete populista. Se houver provas de vícios na planilha que apresentem, mas não insistam em manter as coisas sob suspeição sem comprovação. Sem idéias novas, inútil mediar.
Legisferância
Câmara Municipal proibindo circulação de trens à noite e prefeito aprovando e agora o Legislativo estadual pretendendo restringir funcionamento de bares. Dá saudades do Stanislaw Ponte Preta.
Folclore
Um vereador de Curitiba, irritado com a carestia, discursava, veemente, quando lhe explicaram, em aparte, que tudo fluía da lei da oferta e procura. Então, genial, replicou: ''por que não revogamos essa lei?'' Poderiam também aproveitar e derrubar a da gravitação universal.
Paradoxo
O que é mais saudável: os deputados irem a um bar para relaxar ou os donos e empregados de bar invadirem a Assembléia?
Psicodrama
Se parlamentares agissem com a liberdade dos frequentadores de bar na ''happy hour'' teríamos menos pose e mais autenticidade.
Trauma
Edinho caiu no Atlético. Mas os cães de guarda da Baixada e do CT do Caju ainda se conservam em seus postos, ainda que amuados e olhados com desdém. A procura de culpados prossegue. A Baixada é hoje um entreposto de jogadores.
Confissão
Ainda bem que governos mentem. Verdades nos fariam sofrer muito mais.

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