LUIZ GERALDO MAZZA
Bumerangue de volta
Está aí: o agito de ontem no Tribunal de Justiça trata justamente dos precatórios, ganhos em decisão irrecorrível pelos trabalhadores daquele Poder em torno de um reajuste de 53%. Ao longo desse itinerário, dos mais de quatro mil servidores beneficiados, não poucos se viram impelidos a vender os seus direitos com deságios por operadores do mercado e que depois os trocam como moeda para pagar dívidas fiscais pelo valor de face.
Essa a razão para a mobilização havida com centenas de manifestantes invadindo instalações do Palácio da Justiça até serem recebidos pelo presidente do Poder, desembargador Tadeu Loyola Costa. Não é o único problema dessa característica, pois há um outro processo de cerca de R$ 300 milhões, fruto de um acordo mal feito pelo diretor do Porto, Mário Lobo, que favorecia de forma indevida uma categoria não classificável como trabalhadores daquele terminal, também na primeira gestão.
Esse retorno de problemas passados têm afetado vários governos, inclusive o de Lerner é acionado pelo não cumprimento de decisões judiciais de imissão de posse em terras invadidas. De gestões ainda mais distantes tivemos, não faz muito tempo, o pagamento de indenização milionária ao grupo Rocha Loures no ''grilo'' Areia Branca do Tucum e que foi bastante atenuada com uma ação rescisória da Procuradoria Geral do Estado.
Safra grevista
Há no disparo ameaça de greve de servidores municipais, que pleiteiam mais de 20% quando a Prefeitura oferece menos de 10%. Em andamento a da Itaipu por causa da participação nos resultados. Quando se discutia participação nos lucros, que existe (mas não era aplicada) desde a Constituição de 1946 uma das restrições era do pessoal mais conservador que perguntava se haveria uma forma de participação nos prejuízos quando o balanço ficasse no vermelho. A Itaipu diz que quando Lula começou a governar o kW estava a R$ 62 e agora a R$ 47 em função da oscilação cambial. Há mais: o alegado lucro de US$ 217 milhões do ano passado em vista da Dívida Externa e inflação norte-americana se faria em prejuízo de US$ 552 milhões. O piquete impedia a entrada de operadores e foi preciso usar o recurso de entrar pelo Paraguai para que o prejuízo não se fizesse maior. No fim da tarde uma assembléia tentava acertar os ponteiros com a direção da binacional, percebendo que haviam entrado numa ''fria''.
Se todos os servidores estaduais, que não tiveram aumento em onze anos, se manifestassem teríamos algo como o urro dos corintianos. A maior injustiça é a concessão de aumento para os que detém algum poder mobilização, o que acaba transformando o governo num refém.
Nada acertado
Quem apostar na certeza da aliança entre PT e PMDB pode estar equivocado, como sugere o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Socialismo socialaite
Ontem foi a vez do socialismo no horário gratuito: acabou oneroso para o governo estadual na medida em que tentou mostrar que os dados de crescimento volta e meia usados se devem à sua gestão. Não é verdadeiro: a origem mais remota pode pegar toda a escalada do neysmo mais as gestões do PMDB. O desenvolvimento é processo contínuo e, além de tudo, as bases estatísticas são muito defasadas. Levantamento recente do IBGE vai até o último ano de Lerner.
Folclore
A bajulação é constante nos governos. Quando Lerner era governador os mais radicais ao avistarem-no numa manhã fria soltando vapor pela boca enxergavam, nada mais nada menos, do que uma aurora boreal que afinal nem temos.





