LUIZ GERALDO MAZZA
Elefante no armário
No meio da semana a cena chocante na televisão: Curitiba, apontada como a detentora do melhor sistema de transportes do país, em destaque com a invasão dos biarticulados por gangues. A rapaziada da periferia brincando de ''surf'' na parte superior dos ônibus e os de classe média, ao saírem dos colégios, fazendo o ''pula catraca'' para não pagar passagem.
Como ocultar essa realidade, ao lado dos assaltos (milhares por mês) aos cobradores de ônibus e às estações-tubo, do respeitável público? Afinal no ''Mãos Limpas'' houve acerto de interação entre a Prefeitura da Capital e a Secretaria de Segurança. No caso os dois têm culpa e o Beto Richa ainda fica enganando a galera ao congelar a tarifa. Essa é a indignação programada.
Burrice comovente
A ALL, além de não cuidar direito da concessão na medida em que permite a degradação da via permanente, é displiscente na questão das leis e debates sobre o ruído das composições à noite. Deixou passar, sem reagir, a lei que proíbe a circulação de trens noturnos. Ora essa opção visa justamente evitar maiores entraves à circulação geral durante o dia e agora a ALL vai ter que ir à Justiça para derrubar o monstrengo legislativo, pois se todas as cidades adotarem legislação equivalente, o transporte ferroviário, que é moribundo, morre de vez.
Perplexidade
E se perderem a eleição de novo farão como os times de futebol trocando de técnico, de marqueteiro, mas nunca de presidente?
Ibopes
Ibope é um só e assim mesmo discutível pela falta de ética quando contrata com partidos e ainda faz pesquisas gerais. Os menores, mais vulneráveis, estão para a Pepsi e a Coca na medida das tubaínas. Temos duas pesquisas no pedaço: uma que dá 66% pra Requião e outra que mostra um dos irmãos Dias, aí colocados como siameses, com 43 a 42 no segundo turno. Uma reflexão: imaginaram o Carlos Augusto Montenegro, dono do Ibope e do Botafogo, dando esse time como o de maior torcida no Brasil numa pesquisa?
Atravessadores
O delegado do Trabalho, Geraldo Serathiuk, já disse que entre os ''arranjos produtivos'' para melhorar a situação de grupos sociais críticos (posseiros, sem-terra, bóias-frias, peões de serrarias, chapas) é possível fazer coisas revolucionárias. E cita o caso dos catadores de lixo (na Capital eles somam 18 mil) que poderiam ser organizados em cooperativas pela eliminação de atravessadores. Em Curitiba eles, mediadores, são oficiais.
Metafísica
O que nasceu antes a censura ou a auto-censura e qual das duas a pior?
Capital
Mino Carta teria interpelado a direção da revista curitibana, recém lançada com seu número zero, pela utilização do título ''Capital''. Ele tem a ''Carta Capital'' e essa pretende ser apenas um envelope ágil e atraente como mostrou na primeira edição mexendo com tema-tabu, a herança do Carvalhinho.
Folclore
A operação da PF contra a gangue do contrabando levou o nome de Hidra, uma referência à figura mitológica com sete, nove ou noventa e nove cabeças, um dos doze trabalhos de Hércules. Era a Hidra de Lerna e quando Lerner estava no governo e fazia privatizações rodoviárias diziam tratar-se da Hidra de Lerner, cujas cabeças Requião, à maneira de Hércules, tenta cortar esquecendo que elas têm a peculiaridade de crescer de novo.





