Concentração de poder

Dez cidades do Paraná detêm metade do PIB geral, números de 2002. Curitiba sai na frente com R$ 14 bilhões (10% de São Paulo), Araucária e São José dos Pinhais com R$ 4,6 bi, Foz R$ 3,7 bi, Londrina R$ 3,6 bi, Ponta Grossa R$ 2,9 bi. Já no PIB per capita surpreendentemente duas cidades da Grande Curitiba (Araucária com R$ 44.477 e São José com R$ 20.269) aparecem em primeiro e sexto. A radiografia do IBGE mostrou o óbvio concentracionismo do modelo. Mas há uma desconcentração, lenta e gradual. Tanto que a Capital, em 1999, respondia por 20% e três anos depois caía para 17%, e a essa altura pode ter encolhido mais. Tudo se dá, porém, sem que haja visão de planejamento e capacidade de intervenção do Estado ainda que na forma branda, meramente indicativa. Esse papo de afirmar que o IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) baixo fixará prioridades é demagogia. Piên, antes retraído, é hoje o nono PIB per capita em função da indústria do Grupo Sonae (Tafisa), atraída por Lerner. O exemplo maior é o de Japira, que cresceu 215% entre 1999 e 2002 com a Cooperativa do Norte Pioneiro. Se depender só do Estado nada acontece.

Veto civilizado
Quando Requião acerta, a maioria parlamentar erra: assim foi com o Plano de Cargos dos professores, em que o governador vetou a vigência do reajuste com atrasados, e agora com esse de regiões metropolitanas. Em ambos há exclusiva competência do Executivo por implicar em despesas e, portanto, mesmo que fossem aprovados seriam derrubados no Judiciário. O do metropolitanismo é mais grave porque é uma questão mal resolvida no plano conceitual e essa história de criar regiões com essas características em Cascavel, Apucarana, etc., é distorção. O fenômeno metropolitano vai além da conurbação, isso é do cruzamento das linhas de infra-estrutura. Por isso é que a formulação dos anos setenta era correta: uma em Curitiba e outra, ao norte, abrangendo a linha de Londrina a Maringá.

Descarrilamento
Pela frequência não é mais notícia: outro descarrilamento, agora em Ibiporã, da ALL que não há jeito de entrar na linha. Vergonhoso o estado dos dormentes e da via permanente de um modo geral.

Trem audaz
Trem audaz é o da Prefeitura e Câmara de Curitiba criando mais de uma centena de cargos. Acoplados mais para o mal do que para o bem. Há ainda o trem da alegria dos empregos temporários da gestão estadual, descarrilado na redação final. Isso perto de ano eleitoral é achincalhe ao aniversário, ontem, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que todos citam e não cumprem.

Lição
Londrina deu mais uma lição moral na Capital: os vereadores, por causa da pressão popular, desnomearam parentes.

Folclore
Discutia-se na Assembléia, em tempos mais qualificados, se Miran Pirih como naturalizado podia ser deputado. O primeiro suplente, o valente Valdemar Daros, citava Pontes de Miranda em defesa da tese de que nem o naturalizado poderia assumir, o que não tinha o menor fundamento. Aí o croata Pirih saiu-se com essa: ''Esse Pontes de Mirranda é um fofoquerrro''.

Modus in rebus
Em homenagem ao novo Papa, que se liga no latim, vamos recomendar à OAB um pouco de moderação nesse massacre dos exames de Ordem que no Paraná mostram reprovação superior a 90%. Vi um dia a correção de um recurso e detectei mais de 30 erros gramaticais, de concordância, no examinador. Um festival de solecismos. Só isso já recomendaria a ''moderação nas coisas'' de Horácio.

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