LUIZ GERALDO MAZZA
Quem paga a conta
Tivemos anteontem novas ocupações de praças de pedágio com depredação e cobrança na marra dos usuários em troca de bonezinhos do MST. Concessionárias vão pedir indenização como em todas as pendências que têm com o governo. Se fôssemos uma república de fato, o governante que por ação ou omissão facilitou a manobra pagaria de próprio bolso. E assim também nos casos de resistência à decisões da Justiça. Deveria existir um dispositivo constitucional prevendo essa responsabilização. No momento, temos o caso dos funcionários do Judiciário com origem no primeiro governo Requião que têm um precatório a receber de R$ 400 milhões e outro de R$ 300 milhões da mesma época de portuários.
Memória curta
Não foi só na CPI (estadual) do Narcotráfico que depoimentos de traficantes envolveram políticos estaduais e federais. Há o histórico igualmente do Mário Fogassa, indiciado em roubo de cargas, e que envolveu parlamentares num episódio em que houve o assassinato de um vereador em Campo do Tenente. Uma espécie de amnésia marca esses casos como também o desaparecimento de Bento Chimelli, ex-prefeito de Rio Branco do Sul, e do Mandelli que disputava com o Caboclinho os ''desmanchos''. Essa expressão foi usada na regulação do tema feita por um ex-secretário de Segurança, hoje desembargador.
Flash
Enquete radiofônica ''o que você acha do salário mínimo?'' teve como resposta das mais frequentes ''o máximo''. Quase sempre com duplo sentido.
Apatia
Enquanto o governo estadual cria fatos políticos em ofensiva, a oposição está em letargia. Filiação do empresário Joel Malucelli mostra apenas que o PFL tenta mostrar sinal de vida.
Arnaldo
A morte do jornalista Arnaldo Cruz evocou sua atuação no plano sindical como um dos mais obstinados servidores e responsável, em grande parte, pelo fato de os salários em nossa área serem superiores em 40% aos vigentes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina (o piso, quase sempre o teto) e como pioneiro da defesa do consumidor. Franciscano na forma e no conteúdo.
Tiroteio
O presidente da Emater, Sabino Campos, está de cabeça quente: drena para ele toda a revolta dos trabalhadores pelo corte, à última hora, do acordo que já estava sacramentado, por parte do procurador Botto de Lacerda. Esse bote, como o seu ingresso nos conselhos da Sanepar e no portuário, indica que teve apoio prévio do governador que deixa o seu ''gladiador'' agir à vontade. Criou, no entanto, constrangimentos para secretários que assinaram o acordo como Orlando Pessuti, vice-governador que acumula a Agricultura.
Folclore
O festival de bravatas continua: Fidel e Chávez firmaram parceria contra a Alca, propondo a Alba, Aliança Bolivariana. Alba lembra em tudo a Albânia, um dos países mais atrasados do mundo e que botava banca no front comunista com seu isolamento e auto-proclamado ''farol da humanidade''. Engov, urgente.
Sampa sugere
Greve de motoristas e cobradores em São Paulo alerta para o caso mais grave de Curitiba, onde o sistema opera no ''vermelho'' com esse congelamento que, na verdade, não passa de escapismo do prefeito Beto Richa que, à maneira de Requião, prometeu o que não poderia cumprir.
Ubiquidade
Dia 2, Guilhobel Camargo vai ter que estar ao mesmo tempo em Brasília e em Curitiba em processos que pessoas do governo movem contra ele.





