TVs parlamentares

O maior sonho de um parlamentar é quando a TV da casa se liga numa denúncia de fato importante: ontem os canais da Câmara e do Senado monopolizaram, até certo ponto, os paranaenses, pois num deles havia depoimentos sobre a CPI da Terra e noutro a CPI do Tráfico de Armas. O tenente coronel Valdir Copetti Neves depôs nas duas. O secretário de Segurança, Delazari, só na da Terra.

Tudo pasteurizado
A versão oficial sobre as mudanças no Conselho da Sanepar (entre elas a da destituição do advogado Pedro Henrique Xavier da sua presidência e do membro do Grupo Dominó, o francês do Vivendi, que dirigia o setor operacional) oculta a atmosfera tensa que marcou o episódio da entronização do procurador do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, muito próximo das vias de fato. Situação muito parecida com a que Lacerda tentou no Conselho de Administração Portuária e na qual acabou vaiado. Nesta contava com mais apoio, o que não evita que parte do ocorrido acabe no Judiciário, onde bravatas valem menos do que o dado jurídico e contratual. No mais é o estilo do governo, sua razão de ser.

Obscuridade
O opaco se sobrepõe ao translúcido: neste caso da Sanepar como nos da Copel e da troca de acusações entre Mussi e Pisseti na área de Comunicação a queima de arquivo é creditada à passagem do tempo. Domingo passado, Café Ritz, Cândido Gomes Chagas disse, e em voz alta, para quem quisesse ouvir, diante de Requião que havia um corrupto de peso no governo. Silêncio é forma de caixa preta.

Ainda o SUS
Já no Ministério Público do Paraná o exame do desempenho do Sistema Único de Saúde e a questão da credenciação de hospitais. Aliás, hospitais estão na UTI.

Utopias
O repórter Alvaro Borba, cobrindo a marcha dos professores e sem-terra ao Palácio Iguaçu constatou num lance três utopias: a de um cara que tentava vender cachorro-quente para os manifestantes, a da professora septuagenária defendendo a reivindicação e a de um que acreditava na revolução socialista. O mais quente (e que trabalhava) era o vendedor com tantas e até bem maiores dificuldades do que a maioria. Cachorro-quente só foi bom negócio para aquele cara em cujo nome se faziam operações diárias de US$ 1 milhão no Banco del Parana, braço paraguaio do celebrado Banestado.

Nepotismo
Em Guaratuba já colheram 600 assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular no sentido de proibir o nepotismo. Muitos irmãos, primos e família inteira assinaram e isso não é nepotismo e sim parenteralismo cívico.

Primo
Heitor Wallace de Mello e Silva, que foi secretário de Fazenda de Requião quando prefeito e presidiu o Banestado quando governador, é agora diretor de operações da Sanepar. É primo-irmão de Roberto, Maurício e Eduardo.

Folclore
Há dois anos o empresário Guilhobel Camargo solicitou ao deputado Hermas Brandão, chefe do Legislativo, o cumprimento do texto constitucional que tira o mandato do governador que acumula secretaria. Com a aprovação do Tribunal de Contas daqueles quatro meses de acumulação, Guilhobel voltou à carga, de posse dessa prova formal, junto a Hermas Brandão, advertindo que a omissão incidiria em prevaricação. Se der certo, cai o Orlando Pessuti. E o vice-presidente da República que acumula o posto de ministro da Defesa?

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