Reforma do secretariado


Para quem esperava que a nomeação de Caíto Quintana para o Tribunal de Contas deflagrasse a reforma do secretariado tivemos ontem a novidade: Luis Mussi, secretário de Indústria e Comércio, está tirando o time de campo. Ele já havia combinado com o governador que ficaria até dezembro passado, mas agora sente que precisa retomar o comando dos seus negócios. A ida à China não foi argumento para permanecer. A propósito o que se sabe de divergência era apenas aquela com o sogro, Paulo Pimentel, que ganhou os jornais. A outra: o suposto ''pedágio'' que o secretário Pisseti, da Comunicação Social, tentou cobrar nunca ficou claro e nem o governo se empenhou em esclarecê-lo. Até porque os números referidos para TV de rala audiência eram inverossímeis.

Provopar na luta
Lúcia Requião Arruda, irmã do governador, presidente do Provopar, quer (e tem todo direito) US$ 250 mil do Porto de Paranaguá, gerido pelo irmão Eduardo, referente a cotas de resíduos de grãos do exercício de 2003. Refere-se a cerca de 1.000 toneladas de farelo de soja acima da retenção técnica. Será que essas mil toneladas não estão naquele acervo que sumiu do terminal? Lúcia é uma guerreira e quer também os 300 carros inservíveis que a Sanepar lhe deve.

Dúvida
É mais duro para quem: o Requião suportar seus auxiliares ou o contrário?

Pedágio I
Como o governador desistiu do pedágio de manutenção já não pode mais usar aquele slogan do primeiro governo: ''fala, faz e sustenta''.

Pedágio II
Parcerias Público-Privadas, instrumento-chave da fase final do governo Lula, correm risco com medidas restritivas, ainda que justas, como as propostas pelo Ministério Público Federal obrigando a existência de vias alternativas nas que forem pedagiadas. Justificativa é legítima, mas vai contra o pragmatismo dominante do governo federal de mãos atadas para investimentos.

Fogo amigo
Nas trincheiras governistas volta e meia um pouco de ''fogo amigo'': além da troca de denúncias entre Delazari, da Segurança, e o Dartagnan Abilhoa, ex-titular da PIC, ambos do Ministério Público, temos agora as do Assis Correa, diretor jurídico da Copel, atingindo, entre outros, o Gilberto Griebeler, há muito do time requianista, inclusive ex-secretário de Comunicação.

Adepol acesa
Não faz muito tempo, o delegado Noronha, em nome da Associação dos Delegados de Polícia, entrou no Tribunal de Justiça com uma representação contra o governo por causa da forma como mantinha relações com a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Agora manda um expediente à Senasp para saber qual o valor repassado ao Paraná já que o secretário de Segurança disse que R$ 3,5 milhões seria uma esmola. O Paraná é o estado campeão de não assuntos.

Folclore
Discute-se qual a música que marcará o retorno do Benedito Pires ao Palácio Iguaçu. Há a de ''direita'', do Roberto Carlos ''eu vim para ficar // aqui é o meu lugar''. Ou aquela de ''esquerda'' referente à anistia do Chico Buarque ''eu estou voltando''. Jamais aquela do Adoniran Barbosa ''pode apagar o fogo, Mané // que eu não volto mais.'' Essa pode aplicar-se ao Luis Mussi.

Secretariado
Para certos governos o secretariado ideal é sectário, sectariado.

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