Água fraterna


O governo estadual faz um bruto esforço, inclusive com propaganda, para vender o peixe de que ajuda os pobres no suprimento de água e luz e cada vez aparecem novos exemplos de situações contrárias. Na verdade essas isenções atingem, e isso já acontecia antes, uma faixa específica de usuários. Neste fim de semana, a CBN-Curitiba colocou em discussão os termos de um ''reaviso'' da Sanepar a usuário inadimplente. Nele a empresa, distanciada e desumana, trata essa segunda advertência como se o cliente não fosse um carente e um necessitado, mas sim alguém que desprezava o compromisso de pagar a conta.
Governos costumam, nas propagandas, confundir sistematicamente a árvore com a floresta. Mostram um caso de pessoa atendida (questão da água ou luz) dando a entender que atendem a todos: no ano passado, na Vila Macedo, Piraquara, uma senhora que estudava à noite para melhorar de vida não pôde pagar a conta da luz, que foi cortada, e deixou as filhas em casa na base da vela acesa, o que deu em tragédia com incêndio e a morte das crianças.
Claro que não há relação causal entre uma coisa e outra, mas serve para mostrar que nem todos os pobres são abrangidos pelo ''Luz Fraterna''. No caso da água o pior é a grosseria, quase uma execração em cima do inadimplente. E evidência também do pouco alcance das medidas. A conta não paga era de R$ 30.

Passeata
Policiais civis já estão produzindo as faixas da passeata de 26. O aumento dos peritos criminais mostra que o governo se mexe. Mas das 14 carreiras uma só foi atendida. Investigadores estão há 11 anos na espera.

''Indústria'' trabalhista
Denunciada agora no Legislativo uma indústria de ações trabalhistas na Sanepar. A do Porto de Paranaguá, gigantesca, já deveria ter servido de referência para admnistradores públicos não entrarem em ''fria'' ou firmarem acordos insensatos como o do primeiro governo Requião naquele terminal.

Jogo
Requião no ''Jogo Aberto'' na CNT. Pode ser tudo, menos ''aberto''.

Comunicação
''Não fui convidado e não aceitei''. Fábio Campana sobre a especulação de que poderia retornar à secretaria de Comunicação Social.

Correição
Últimos acontecimentos envolvendo desvios de policiais, tanto civis quanto militares, revelam que a fiscalização e a correição melhoram. Só na Delegacia de Furtos de Veículos há 25 policiais civis presos.

Maria
Maria de Oliveira, referência da questão agrária no Paraná, agora dirigente do Incra em Pernambuco, admitiu, diante de documento do Tribunal de Contas da União, a cobrança de pedágio por parte do MST aqui na terra: desvio de recursos públicos para fins de proselitismo. É a CPMI do MST presidida pelo senador Alvaro Dias. Ele quer ouvir Cecílio Almeida por causa dos 5 milhões de hectares de terras no Pará. Alvaro poderia no caso declarar sua própria suspeição diante da luta que manteve com o empresário e que ganhou caráter pessoal em função da Usina de Segredo.

Ônibus
Não há como negar que em maio os ônibus sobem. Aí Beto Richa está para isso como Requião com o pedágio: não baixa e nem acaba. Unidos na derrota por mais dissimulada que seja pela propaganda mais sutil ou escrachada.

Ferro
É mais fácil segregar a soja no Porto do que prepará-lo para exportar ferro. E vai fazê-lo, trazendo-o de Vitória (ES).

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