Nedson e Tatcher
Greve frustrada de um mês de barnabés em Londrina lembra analogia aqui feita com a dos mineiros na Inglaterra e combatida pela Dama de Ferro, Margareth Tatcher, que demorou um ano e terminou com o retorno humilhante dos grevistas ao trabalho sem o ganho de um centavo e sem acesso aos dias parados. Para o sindicalismo brasileiro, que é movido mais pela leniência do patrão estatal ou privado, isso ao menos na porção moderna do país, do que pela firmeza das ações dos trabalhadores, o episódio é uma lição até por dar-se com um prefeito do PT.
Seria injusto comparar Nedson à truculenta Madame Tatcher, apontada por Hobbsbawn como algo além das formas costumeiras de neoliberalismo. Se não há dinheiro em caixa, o que pode fazer um prefeito por maior que seja a sua afinidade com movimentos sociais e trabalhistas? Só que essa racionalidade cartesiana não passa pela cabeça do emocionalismo grevista e o que há de mais constrangedor é que a retirada seria mais digna se o acordo proposto antes com a mediação da Câmara Municipal tivesse sido aceito.
O maior fracasso de uma greve é quando sai de cena o aumento e entra em debate o pagamento dos dias parados e a salvação de possíveis demitidos. Aí a base, que incendiou o processo neste caso, tentará julgar a direção, o que também não é justo.

Maringá pacífica
Maringá não é famosa apenas pela música que lhe deu o nome e pelo fato de melhor definir o chamado ''novo Paraná'' ou ainda por ter sido o palco da vitória do Cianorte sobre o Corinthians. É um dos mais baixos índices de homicídios por 100 mil pessoas: 7,94, isso é 24 pessoas assassinadas em um ano quando a média nacional é de 35,52. A estatística deve constranger Londrina e especialmente Foz do Iguaçu, cujos números lembram a Baixada Fluminense.

Polícia comemora
Um certo setor tanto da polícia civil quanto da militar comemorou a queda do tenente coronel Valdir Copetti Neves. Um operacional, ele esteve à frente de coisas chocantes como a investigação das bruxarias de Guaratuba (aí acusado de torturador pelas Abagge) e a ação em Campo Bonito que redundou no massacre de três PMs e na execução covarde do líder sem-terra Teixeirinha, eventos do primeiro governo Requião, e o apoio à CPI federal do Padre Roque com a técnica do encapuzamento dos acusadores. Noronha, alvo também da manobra, deve estar comemorando. A questão é a seguinte: as divisões internas no sistema policial são mais fortes e dramáticas do que imaginamos. Daí a impotência geral.

Recorde
De janeiro de 2003 até hoje foram roubados 2.589 veículos em Curitiba. A média é de quase 27 (26,9) ao dia. De repente, bate as montadoras.

Passeata
Para dissuadir ou minar a passeata da Polícia Civil, dia 26, já se cogitou dar aumento de 11% (em prestações, é claro) para os reivindicantes. Houve decisão que ajuda o movimento: a Procuradoria Geral do Estado teria dado parecer pela inconstitucionalidade do projeto que pretendia amparar os que têm 3º grau.

Sem tato
Segundo denúncia do deputado Rafael Greca o Ministério das Cidades estaria cogitando de entregar prédios desocupados do centro da Capital aos sem-teto, entre eles a sede histórica do Clube Curitibano. Coisa de gente sem tato.

Petróleo
Mr. Link, geólogo contratado pela Petrobras, disse que não havia petróleo em terra no Brasil. A descoberta da Sanepar em Joaquim Távora (que a Petrobras já prospectara) anima o Pedro Lauro, aquele que andava com vidrinhos com óleo escuro afirmando que havia petróleo em Marechal Mallet.

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