LUIZ GERALDO MAZZA
Cercas da liberdade
No início do governo Requião fez-se grande alarido com a derrubada das cercas do Centro Cívico que alguns áulicos da propaganda acharam que era tão ou mais relevante do que a derrubada da Bastilha, a Queda do Muro de Berlim e a da Muralha de Jericó. Pois agora essa disposição democrática vai ser testada a 23 de abril quando os sindicatos da Polícia Civil pretendem ocupar a frente do Palácio Iguaçu em protesto contra os dez anos sem reajuste. A idéia é levar todos os carros e deixá-los lá com as respectivas chaves.
Leva jeito de contra-informação e isso perto das eleições da Adepol fica meio suspeito.
Sinal verde
Tribunal de Contas detectou que o DER não funciona na fiscalização das vias pedagiadas. Como se percebe aí também o discurso conflita com a praxis.
A base
Uma das deformações do sindicalismo brasileiro é a da direção ser mais forte do que a base. Em Londrina se deu o contrário: a assembléia não acatou acordo entre o prefeito e o sindicato e o fulminou. Mas há sinais de divisão, trinca no cristal, e isso pode caracterizar ''estresse'', fadiga do material. Comando minado, movimento em queda. O prefeito, se continuar reagindo, pode ser comparado à Dama de Ferro, Margareth Tatcher, que segurou greve mineira por um ano na Inglaterra e derrotou os sindicalistas.
Socialismo e ''socialite''
Cada vez as coisas mais se confundem. Vide o empolgamento pelo poder no PT. Mas às vezes ser ''socialite'' é mais honesto que dizer-se socialista.
Bonde
O último número da ''Paraná em Páginas'' diz o óbvio: o bondinho da XV não é curitibano e Lerner-Taniguchi começa a tomar conta da gestão Beto Richa.
E os ''finalmente''?
Nunca os ''considerando'' podem ser mais longos do que os ''finalmente'', de que tanto falava o coronel Paraguaçu. Foi o que se viu ontem na participação decepcionante do procurador Luis Henrique Bona Turra no Legislativo. Elogiou-se fartamente e ficou a expender conceitos óbvios sobre republicanismo e ética e quando viu seu tempo tinha se esgotado. E a paciência da maioria também.
Folclore
Em meio ao discurso de Bona Turra houve referência à metáfora chinesa de que se uma borboleta bate as asas em Pequim afeta a costa norte-americana. Talvez ele tenha batido as asas para atingir a Ásia e mais especificamente o governador na China. Não dá para usar a de Mao Tse Tung ''uma faísca na pradaria'' já que não teve o efeito devastador esperado. Quanto menos ornamental mais eficaz a denúncia.





