Paraná, o periférico
Poderíamos ter pelo menos uma das nossas universidades estaduais sob regência da União e nada conseguimos, embora Minas Gerais e Rio Grande do Sul tenham obtido essa regalia. E não foi por falta de ministros, já que os tivemos na Educação em 1964 com Flávio Suplicy de Lacerda e mais tarde com Ney Braga e seu sucessor Euro Brandão.
Consta mas não é bem claro sob o ponto de vista documental que houve uma oferta para que se federalizasse a de Londrina e que o governador, por temer o acirramento da disputa setentrional com Maringá, não o teria admitido se as duas não fossem aquinhoadas. Pois agora o deputado federal Luis Carlos Hauly apresentou o projeto de criação da Universidade Federal do Norte do Paraná e que já passou pelo crivo da primeira comissão.
É uma iniciativa importante que apenas acentua essa lamentável ausência de credibilidade e de força dos políticos paranaenses. O ideal mesmo seria, como se deu em várias unidades, a federalização das estaduais para reduzir o peso dos gastos com o terceiro grau e mais investimentos no primeiro e segundo.
Há um detalhe logístico importante na proposta de Hauly: essa universidade regional acentuaria a polarização do norte paranaense com a migração de estudantes, como já ocorre com as estaduais.

PT, 25 anos
O Partido dos Trabalhadores fecha, neste fim de semana, seus 25 anos e é visível que foi perdendo o ferrão à medida em que assumia o poder nos vários níveis de governo. Nesse quarto de século sofreu com a Guerra Fria e o seu esgotamento, mais a Queda do Muro e o estabelecimento de uma ordem de traço militarmente hegemônico. Como ajustar a pretensão de dois valores: o da revolução e o socialismo nesse itinerário.
Pior: o PT, embora conservando as tendências internas, o que mais enriquece do que definha, mostra-se por seus atores pragmático demais e caminhando à direita de tudo aquilo que o neoliberalismo de FHC deixou. Seu rigor em se mostrar escoteiro diante do Consenso de Washington.

E a sede?
Voltemos à Universidade Federal do Norte do Paraná. Teríamos uma guerra entre Londrina e Maringá para sediá-la, emulação que sempre ajuda.

Transgênicos
Requião promete continuar sua cruzada contra a soja transgênica na China. Lá como aqui ser levado a sério é o mesmo problema.

Salva pelo gongo
Marta Suplicy estava enredada nas malhas da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas Lula a livrou com Medida Provisória, austeridade mimética do PT. Aqui o pequeno escorregão de Taniguchi acabou em denúncia do Beto Richa. Tucano é menos solidário do que petista.

Ainda Turra
Bona Turra tinha apoio da Assembléia Legislativa, de secretários de Estado (dentre eles Maurício Requião), de todos os partidos de esquerda para a sua indicação ao STF. Alega que não pediu o apoio do governador porque fazia 10 anos que não falava com ele.

Folclore
Fernando Pessoa volta na próxima ''Idéias''. Ele assinava a coluna Venenoteca e com o codinome de Chiquinho Bórgia. O noticiário policial falava que havia no Tarumã um lobisomem. Ele tascou: se é baixinho e peludo só pode ser o João Ribeiro Júnior, secretário da Fazenda, e ligado aos donos do ''Correio do Paraná'' dos Franco Ferreira da Costa.

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