PT ambivalente
Com pouco mais de dois anos do exercício do poder nacional, ao longo dos seus 25 anos de existência, o PT é, como tantos outros partidos, a expressão da crise de identidade. Ufana-se e deslumbra-se com o poder, mas tem nostalgia dos seus tempos de oposição sistemática. Fingir-se que não está no poder e que não o desfruta é uma das dissimulações mais empregadas. Em Curitiba houve duas celebrações, uma dos pragmáticos, e outra dos que tentam aparentar avanços e progressismo. Um bifrontismo próximo da esquizofrenia e da melancolia.

Dobrandino dobrado
Depois de acompanhar a operação militar em Foz do Iguaçu, hoje um dos maiores focos de violência do Brasil, Requião dobrou o Dobrandino, chefe político do Oeste, para colocá-lo na liderança do governo na Assembléia para substituir o Natálio Stica. O racha entre PT e PMDB é de tal ordem que não convinha tentar atrair um outro ''companheiro'' da legenda para o posto. O problema agora vai ser o de atrair petistas nas votações. De outro lado os mais fiéis a Lula do que a Requião (André Vargas, Samek, Paulo Bernardo) querem que petistas como o Padre Roque deixem o governo.

Deve-haver
No Brasil é assim: você perde um Roberto Campos, um Simonsen, um Bulhões, um Celso Furtado e ganha um Carlos Lessa e a Maria Conceição Tavares.

Kirchner Sarney
O presidente argentino declarou guerra a Shell por causa do aumento da gasolina. Imita o Sarney e só falta agora montar o quadro de fiscais.

Cianorte decifrada
A cidade de Cianorte, glorificada agora pelo futebol, é o nome telegráfico da Companhia de Terras. Há quem diga que existia um setor da empresa que naquele dado em código teria indicado o desejo de transformá-la num pólo. O que a teria prejudicado seria o fato de ter parte do seu solo no Arenito Caiuá. De pólo do vestuário pode ser o do futebol, o das glórias efêmeras como as de Londrina e Maringá que já foram campeões brasileiros.

Mais perda
Mais uma empresa paranaense é absorvida por grupo multinacional: a Placas Paraná. Investidores dela estavam na base pioneira da Volvo. É outra marca que se vai. Como a distribuidora de remédios e rede de farmácias Minerva.

Forbes
Nenhum paranaense, pelo menos por enquanto, na listagem dos bilionários da Forbes. O que não impede que alguns ''posem'' como se figurassem entre os 691 ranqueados. Até os 600 havia brasileiro de banco, de minério, de supermercado e três de cerveja.

Folclore
Cauby Peixoto se apresenta no ''Paiol''. O locutor José Maria Pizarro, a voz tonitruante do rádio paranaense, dá o grito que ressoa por todo ambiente: ''Cauby!''. Lá do palco, o cantor repica ''obrigado, meu amor!''

Avestruz
Se o investimento garante 60% de retorno, ninguém mais vai rezar Ave Maria e sim o avestruz. O Onaireves que domina o rebanho do futebol está nessa.

Pessoa
Fernando Pessoa, não o português, mas o pernambucano, que já dirigiu o Guairão e meteu o pau nos curitibanos, está de volta. Deve aparecer na próxima edição da revista ''Idéias'' explicando que ''ritibano'' é ''do mundo''.

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