LUIZ GERALDO MAZZA
Barril de pólvora
Mais uma rocambolesca fuga de presos na madrugada de ontem: 17 escaparam do 3º Distrito e só haviam sido recapturados três até o início da tarde; dos 34 que se evadiram do Alto Maracanã, apenas três foram apanhados, naquela incrível operação de escavação de um túnel e com duas turmas se mandando em 48 horas.
Como há pouca gente para cuidar de tantos presos, essas ocorrências acabam se transformando em rotina. Vejamos como está o nível carcerário das unidades com mais de 70 detentos: 3º Distrito, 7º, 8º, 10º, 11º, Furtos e Roubos (fundos do Hospital do Cajuru), Furtos de Automóveis, Alto Maracanã, Pinhais, São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande.
O macete de fazer o túnel no vaso sanitário é uma das regras. Como não se pode subestimar o nível de organização desse pessoal (que devem contar com a logística do Comando Vermelho, Terceiro Comando, Primeiro Comando da Capital) devemos passar a temer não só a maioria de soltos como a minoria de presos.
E evitar que patenteiem a patente como elemento de fuga com ISO 2005.
Lá se vão as marcas
Estamos nos desparanizando: perdemos Hermes Macedo, Cimo, Prosdócimo (após Refripar), Badep, Banestado, Viação Nossa Senhora da Penha, Bamerindus e agora a Delara absorvida pela ALL, o que não reduziu os descarrilamentos, embora se constitua no maior enriquecimento na logística. Com a perda das marcas há, é claro, prejuízo de substância ao lado da queda de autonomia.
Nova cara
O ex-governador e empresário Paulo Pimentel anunciou uma nova cara para seus veículos impressos numa reforma que pretende abrangente. Quanto às relações da mídia com o governo é radical na defesa de que critérios técnicos como o do controle da circulação (IVC) e audiência (Ibope) se sobreponham aos políticos.
No Paraná infelizmente a subversão é o hábito da subvenção.
Contestado
O Paraná leva um baile dos catarinas na questão do Contestado: além da perda jurídica e política somos massacrados em bibliografia, iconografia e arte sobre o assunto. Daí a importância do documentário recente que a TV Paranaense editou a propósito das façanhas do Farquar, o investidor da Madeira-Mamoré e da São Paulo-Rio Grande e também da madeireira Lumber, que dão fundamento à saga que infelizmente não teve um Euclides da Cunha para reconstruí-la. Há quem a considere tão grandiosa e intensa quanto Canudos.
Massa cinzenta
A morte do físico Cesar Lattes, curitibano, renova uma questão que suscitei várias vezes aos governantes: a necessidade de, ao lado de um Centro de Estudos Estratégicos para a região, um cadastro da nossa massa cinzenta tanto dos que ficaram no Brasil como dos que se encontram no exterior. Vou lembrar alguns: o engenheiro hidráulico Nelson Souza Pinto, o filósofo matemático Newton Carneiro Affonso da Costa, o coronel Geraldo Cavagnari, talvez a maior das nossas autoridades em geopolítica. Há mais, muitos mais.
Folclore
O movimento de 64 não foi tão organizado quanto aparenta. O general Ítalo Conti, secretário de Segurança do Paraná, companheiro de Castelo Branco na campanha da Itália, consultou o Chefe do Estado Maior se poderia se ausentar do país para um curso no FBI nos Esteites. Castelo respondeu que só havia em andamento fermentação, nada mais. Quatro dias depois a coisa estourou.





